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afonsonunes

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27 Abr, 2017

Irritados


Portugal de Norte a Sul e de Este a Oeste está cheinho de irritados. Cheinho mas não repleto, pois segundo dizem os respetivos indicadores, o nível de confiança lá vai aumentando como não acontecia há muitos anos.
Mas, compreende-se que os irritados sejam o melhor que se pode arranjar, para encher os noticiários.

Coitados dos editores, ainda não repararam que em tantas notícias irritantes, não bate a bota com a perdigota. O país está tão mau para os irritados que até já esqueceram os tempos áureos da crise. Ou então, nesses bons tempos em que não tiveram coragem para se indignarem, aproveitam agora para desopilar a bílis, mesmo com o estômago mais composto.

O presidente Marcelo, ao contrário do que os irritados têm dito dele, também começa a dar sinais de irritação com o PM. Talvez, precisamente, para que os irritados não se sintam tão sós. Daí que a sua irritação seja apenas relativa ao otimismo de Costa.

De quando em vez, lá aparece um ou outro socialista que se mostra irritado com o PM, para gáudio da grande maioria dos irritados permanentes. E não é para menos, pois cada nova voz irritada, vinda do inimigo, é um estímulo ímpar para os indignados.

Os três partidos apoiantes do governo têm a obrigação programática de se mostrarem irritados com algumas decisões do executivo. Vêm aí eleições e há que mostrar as diferenças. Os portugueses, a direita e a desinformação agradecem.

Os mais indignados e irritados, com o comandante Passos à cabeça e com Cristas à deriva na retaguarda, já não encontram mais que tricas de ocasião para sobreviver à onda que os assola, impulsionada pelas recordações de quatro anos irritantes.

Até a Justiça, essa balança desiquilibrada e de véu transparente nos olhos bem abertos, anda a dar sinais muito claros de que os irritados querem mais equilíbrio e transparência. O país começa a fazer contas aos estragos e está cada vez mais irritado.

Irritados andam os presidentes dos três maiores clubes nacionais. Eles já brincam a tudo: às queixinhas, aos tribunais, aos insultos, aos mimos e às tricas. Mas o futebol, no seu todo, anda a brincar com o fogo. Vamos ver quem se queima primeiro. Ou foge daqui à pressa.

As irritações são muitas, muitas delas de sinais contrários. Há também otimismos que se mostram com graus de maior ou menor dimensão. António Costa cria muitas irritações com o que diz e o que faz. No entanto, não se irrita com ninguém. Irritante, só o seu otimismo. E, até ver, mais vale ser otimista irritante, que pessimista irritado.