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afonsonunes

afonsonunes

 

Neste recanto sombrio

Onde a vaidade se apaga

Todo o cobarde faz força

Todo o valente se caga

 

Mesmo a cheirar mal, esta cena nunca mais me saiu da memória. Tinha eu aquela tenra idade de estudante em que frequentava um salão de bilhar, anexo a um café mais ou menos chique. No bilhar havia um local sombrio.

 

Era um cubículo que servia de sanitário, apenas com uma sanita, sem arejamento e sem luz natural. Porta fechada por dentro, dava nas vistas a quadra acima, escrita a giz branco nessa porta de madeira velha e escura.

 

O recanto era realmente sombrio e dava mesmo só para fugir dali quanto antes. Portanto, vaidade, ali, nem pensar. Os vaidosos iam aos sanitários do café mais ou menos chique. Mas aquela quadra dava que pensar.

 

E ainda hoje, de vez em quando, penso nos cobardes que fazem força e onde é que a utilizam. Há valentes em todo o lado. Alguns, cobardes. Mas muitos deles, só fazem força a sério, em lugares mais ou menos sombrios.

 

Mas vou ao que vim hoje. Ser notado, não é ser notável, como é evidente. Como se sabe, na nossa praça futebolística, há muita gente que joga com atributos, virtudes e defeitos, que a quadra do recanto faz lembrar.

 

Hoje resolvi ir ao encontro de um notado treinador de futebol. Ele que gosta, melhor, que adora, armar em valente, que é, não tanto pelo que faz mas, pelo que diz. Logo, a força dele está nas palavras mais que nas obras.

 

O recanto dele é luxuoso, mas a sua força, nos momentos de necessidades, não é de corajoso nem de cobarde. Mas de vaidoso, que isso é, e muito. E não apenas no seu recanto mas, sobretudo, ao espelho.

 

É tão difícil falar de bola, de jogadores, de treinadores, de espetadores. Mas eu hoje não estava virado para aquela gente de que costumo falar. Não por causa de recantos sombrios, nem de quadras que lá se leem.

 

Estamos num país que entrou em ondas coloridas. Agora estamos na onda verde. Que tem o seu surfista. E há a onda vermelha e a onda azul. Vamos começar a saber onde a vaidade se apaga e quando o valente faz força.