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afonsonunes

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Já não vale a pena ler os artigos dos craques que já tiveram o seu período áureo nos jornais portugueses. Agora, mais sério, e o que está a dar, é ler os comentários que os leitores despejam no espaço que lhes dão a seguir.

É assim como ‘a opinião pública’ das televisões embora, nuns e noutros, a liberdade de expressão não seja igual em todos. Há os comentários submetidos e não publicados e os que não têm qualquer submissão.

Os jornalistas que ainda conseguem ter, ou lhes deixam expressar alguma imparcialidade, também são acusados de terem as suas paixões pois, seja qual for o tema que abordem, o extremismo ideológico impera.

Na verdade, todos os dias somos encharcados com opiniões iguais às de ontem, sempre com a voz do dono por pano de fundo. Já não há pachorra para tanto frete. Mas, vale mesmo a pena ir ao fim dos artigos não lidos.

O tom dos comentários dos leitores é variável de jornal para jornal. Mas já variou mais. Há para todos os gostos e feitios, com o azedume, o ódio até, com que uma grande parte se pronuncia sobre o que lê. Ou que nem leu. 

Suponho mesmo que os leitores, telespetadores ou ouvintes, nunca massacraram tanto o poder como o fazem atualmente. Sobretudo, nunca o fizeram com tanta violência verbal. O respeito já ficou pelo caminho.

Tal como já ficaram para trás as boas maneiras entre os próprios leitores comentadores, que se insultam uns aos outros, passando a comentar-se mutuamente, onde essa guerra sem regras lhes é permitida. 

Toda a violência verbal pode descambar para outros tipos de violência. Os detentores do poder, de qualquer nível, não deviam contribuir com os seus rastilhos para atear fogos demasiado perigosos.

Governar bem, também é saber falar bem. E quem governa sabe bem quando está a falar bem e quando está a falar mal. Custa ver gente tão séria a esconder, a omitir, a enganar, a mentir. Depois, é o que se vê.