Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

 

Já li por aí que o presidente não é um notário. Pois não, mas ele regista tudo como numa escritura e de vez em quando lembra-nos desses registos e das respetivas datas. Só há uma palavra que ele nunca registou nem leu.

Essa palavra é rancor. Que quer dizer que um rancoroso nunca esquece nem perdoa. O que vai dar num ódio profundo. Ora, se bem me lembro, isto não encaixa no espírito leal, aberto e isento de um bom presidente.

O que se diz do rancor, pode dizer-se do preconceito. Ou seja, o conceito formado antecipadamente, ou planeado sem fundamento sério ou razoável que, haja o que houver, não muda com evoluções no tempo.

Por outro lado, num presidente, sem qualquer exceção, palavra dada é palavra cumprida. Sobretudo, em declarações solenes. É saber distinguir sempre o que é mais fiável do menos fiável. Sem rancor nem preconceito.

Depois, um bom presidente deve saber, sem hesitações, objetivamente, quem são os conflituosos incuráveis que só pretendem dificultar o bom funcionamento da democracia, ao exigir para si, uma Constituição móvel.

Um bom presidente deve estar fora do sistema. Sempre que o sistema é retrógrado, disfuncional e tendencioso. Nunca permitir aquela máxima justiceira: se não foste tu, foi o teu pai! O coração não deve ter raivinhas.

Vivemos uma época em que toda a gente tem a pretensão de ser um modelo de verdade. Um presidente não pode ser mais um, entre essa gente. Um bom presidente tem de saber sempre condenar toda a mentira.

Porque, mentira, também é falar de uma estabilidade e de uma confiança só possível com o apoio de quem, verdadeiramente a pode dar. E quem a pode dar, só a dá a quem quer e não a quem lha exige à força e de má-fé.

O país não pode continuar a permitir todo este estado de boas e más verdades. O país tem um presidente que pode separar o trigo do joio. Hoje há uma maneira de resolver esse trágico problema: todos ao polígrafo, já!