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afonsonunes

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18 Mai, 2017

Jericos


Apesar de, nos tempos que decorrem, não ser muito frequente ouvir falar de jericos, eles existem e, segundo o meu olhar um tanto desfocado para muitos, eles passeiam-se por aí e falam que nem os mais ilustres da sua asinina raça.

Quando digo que eles, os jericos, falam, estou a ser um bocadinho compreensivo, talvez até tolerante, ou mesmo benevolente, com a maneira como se expressam, pois, em boa verdade, os jericos zurram, e de que maneira, por mais que se queiram comparar a gente, ou a outros animais, tipo cães de caça, ou coelhos de coutada.

E o país foi assim durante o tempo deles. Dos jericos cães de caça a tudo o que lhes enchia a mente e o desejo de lhe deitar a mão. Dos jericos caçadores que atiraram a tudo o que mexia. Dos jericos mexeriqueiros que transformaram as verdades em pós mentiras. Dos jericos que ainda agora, quais apóstolos da desgraça, ou diabos dos infernos, não vislumbram a realidade que se lhes atravessa entre as pálpebras semi cerradas.

E foi assim que o país se transformou numa coutada onde o coelho foi rei e senhor. Coutada onde os jericos zurraram alto para se ouvir no exterior e as vacas deram leite para toda a coutada. Lá fora, até as pessoas eram caçadas por todos e todas as espécies da jericada altiva, arrogante e dominadora.

Agora, quase diariamente, ou melhor, quase a todas a horas do dia, anda por aí um jerico coelho em todos os noticiários, zurrando asneira pegada, fazendo comparações nas quais deixa bem patente a sua natureza de espécimen indistinto dentro de qualquer das raças em que pretendamos incluí-lo.

Zurra contra aqueles que apelida de socretinos, com Sócrates ou sem Sócrates, como se um exemplar de jerico, com parecenças com coelho, mas querendo parecer Pedro, o apóstolo, chegasse aos calcanhares daqueles que tenta caçar, depois de já estar a exalar os últimos suspiros à entrada da sua toca.

Tal qual os jericos que não se cansam de falar na geringonça, ou gerigonça, muito a fazer lembrar quanto mais vale uma geringonça que não aparenta dar sinais de escangalhar-se, antes tem demonstrado quanto funciona bem melhor que todas as noras puxadas pelos jericos que, em lugar de fazerem chegar a água ao país, só conseguiram mostrar o deserto das suas medidas estruturais, com o país e as pessoas em seca extrema.

Agora, em lugar do Pedro e da Teodora, há o António que fala do que sabe. Em lugar da Maria errática e shaubliana, há o Mário que tem sotaque português e ideias rumo a um futuro com esperança.

Porque, agora, já não se pensa que o futuro só começará a sorrir daqui a algumas décadas. Agora, já há quem pense que o futuro já começou: agora.

Os jericos tinham o seu próprio futuro garantido. Da forma que tem vindo a ser revelada quase diariamente: fraudes, gestores ruinosos, bancos 'assaltados'. Numa palavra, corruptos.

O futuro, será apenas quando o país se libertar da cambada que o dirigiu e o roubou durante o longo passado. E não só de quem os piores nos querem fazer crer.