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afonsonunes

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11 Jun, 2015

JOANAS

 

Estou agora a lembrar-me de duas Joanas que estão em posições completamente diferentes. Uma, todo-poderosa, que julga que tem o país na mão e outra que pensa que vai conseguir o mesmo daqui a uns meses.

É verdade que a primeira apareceu de repente na ribalta vinda dos confins da obscuridade, para a grande maioria dos portugueses. Mas veio e logo se considerou uma vedeta. Não foi, chegar, ver e vencer, mas vir sem ver.

A segunda, já anda por aí há muito tempo, à procura de quem a veja. E, realmente, já há muita gente que a topa de longa data e de muitas e breves tentativas de se fazer passar por estrela de qualquer constelação.

Estou farto de ouvir dizer que este país não é o da Joana. Até é, sem dúvida, o país onde vivem muitas Joanas, mas não é, nem nunca virá a ser, o país onde uma qualquer Joana alimente o sonho de controlar um país.

Até porque os candidatos a controladores, são mais que muitos. E uma qualquer Joana, atualmente, não pode aspirar a mais, que não seja ser controlada à vista. E isto serve para as duas Joanas do início destas linhas.

Não é difícil perceber que a Joana que se julga incontrolável, nunca chegará a lugar nenhum. Porque ela, na sua solitária pequenez, quer chegar ao topo, sem vencer qualquer etapa, por nunca conseguir reboque.

A sua grande ilusão é não saber escolher o caminho com o qual sonha de cada vez que se deita para dormir. Quer ser grande, mas nem sequer se distingue entre os pequenos. Não sabe que tem de ceder algo a alguém.

E o pior erro de quem quer subir, é não saber distinguir o caminho que sobe e o caminho para descer. E a Joana, solitária, pretensiosa e indomável, já não sobe nem desce. Já encalhou na encruzilhada anterior.    

Quanto à Joana que soube aproveitar o reboque e a oferta do caminho certo, acabou por ser uma vencedora. Que está a aproveitar a festa enquanto dura. Porque não há bem que sempre dure, nem mal que ature.