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afonsonunes

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20 Abr, 2021

'Justicializando'

My  Takes 24

 Há quem queira ser grande mesmo procedendo sempre como o mais pequeno dos seres que proliferam na espécie humana. Talvez por essa mania das grandezas acabamos por cair na tentação de os classificar como super seres coisa que eles adoram, por se verem catalogados num patamar fora do alcance social e profissional, mesmo dos mais ilustres e competentes cidadãos.

Obviamente que, com esse estatuto, os super qualquer coisa têm uma grande tendência para se considerar intocáveis, até arrogantes, valorizando em larga escala as suas competências, julgando que tudo o que pensam ou fazem tem de ser considerado como indiscutível. Daí a habituarem-se a não permitirem qualquer escrutínio dos seus atos, nem qualquer crítica às suas decisões.

Não é de estranhar que com o passar do tempo haja quem lhes ganhe medo, mesmo aquelas pessoas que deviam usar o justo e legal travão aos seus desmandos e excessos sobre aqueles que, por qualquer motivo, lhes causam ou causaram qualquer sombra na sua superioridade soberana.

Já tenho citado em outras ocasiões o conhecido ex super juiz espanhol Baltazar Garzón, que em tempos idos, fez da justiça um campo de batalha em que chamou à liça importantes figuras do antigo regime do seu país. Tanto abusou dos seus poderes que um dia foi mesmo corrido da sua temível profissão, que tantos louros colocara sobre a sua temida cabeça.  

Recentemente, no Brasil, o ex-presidente Lula da Silva que tanto lutou contra a sua condenação e prisão por corrupção durante infindos anos, viu agora reconhecido que tudo não passara de uma vil perseguição política, encabeçada por um super juiz, Aldo Moro que, penso eu, ainda não teve a ‘merecida recompensa’ de todos os prejuízos que quase destruíram vidas humanas, nunca mais reconstruidas na sua totalidade.

Porém, são dois casos, Baltazar Garzón e Aldo Moro, que saltam da minha memória como representantes de uma justiça que destrói vidas em vez de as recuperar, castigando criminosos que mataram, roubaram ou arruinaram vidas. Castigar é mesmo para se aplicar a quem a justiça investigou, provou e concluiu que, sem dúvidas, só se mete atrás das grades quem praticou mesmo tudo o que a acusação provou e o julgamento confirmou. Nunca se pode condenar por presunção de crimes só pelo fato de se pensar quer eles existiram mesmo. Porque, na dúvida, a decisão é sempre a favor do réu.

Neste momento, assalta-me o pensamento que me dá volta à cabeça, que pode haver mais algum super juiz que se junte aos dois acima citados que a história nunca esquecerá. Separar o trigo do joio é fundamental em tudo na vida. No caso presente, condenar quem, por tudo o que criminalmente for provado, ilibar por tudo o que concretamente não for provado.    

(20/04/21)