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afonsonunes

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Paulo Portas despediu-se hoje de deputado na AR, no meio de elogios, graças, gracinhas e um ou outro piropo inocente. Disse que deixou muitos amigos dentro de todos os partidos e saiu sem deixar qualquer inimigo.

Em política é normal que assim tenha sido. É como quando morre alguém. E há quem pense que Paulo Portas morreu para a política. Pois, daí os elogios, ao pensar-se que ele não mais os chateia. Estão bem enganados.

Não tardará que esses tais amigos sejam alvo das suas arremetidas nos comentários que, ao que se diz, irá em breve mandar para o ar na TVI. Faz todo o sentido esta nova viragem do homem mais irrevogável do país.

Obviamente que vai bater nos amigos e inimigos com os seus comentários. Mas, isso já não indigna ninguém. Bate-se aqui, abraça-se acolá e almoça-se ou janta-se em clima de grande amizade. Tudo normal.

Quem julga que Portas dá ponto sem nó, ou não o conhece, ou é dos seus admiradores mais distraídos. Portas quer chegar longe. Não chegou a PM e isso está a martelar-lhe na cabeça. Ora, agora, só pode pensar mais alto.

E mais acima de PM, só o PR. Ele viu como Marcelo conseguiu lá chegar. Demorou anos, mas chegou lá. E o caminho que percorreu, habilmente, diga-se, foi o de comentador da TVI. Portas tem uns bons anos para isso.

Não pode nem precisa de ter pressa. O lugar está ocupado. Tudo indica, e como é costume, por muitos anos. Portas tem de deixar as feiras e os mercados e dedicar-se inteiramente à arte de bem seduzir e encantar.

Nas feiras e nos mercados aprendeu a beijar, a abraçar e a rir abundantemente. Porque era sempre a correr. Na TVI é tudo muito mais calmo, mais comedido e muito menos impulsivo. Basta sorrir. Sorrir muito.

Nunca pode repetir na TVI o que fez no Independente. Tem de saber bater como Marcelo bateu. Com jeito, com simpatia e com afeto. Mas não pode tentar o bota abaixo do jornal. Senão, quem vai ao ar, é o mau batedor.