Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

03 Abr, 2016

Lavapassos

 

Esta coisa das lavagens está a crescer de dia para dia, de ano para ano. Já tivemos um lavafreeport que durou uma eternidade e deu no que deu. Nicles, nada. Mas também tivemos um lavaportucale que deu o mesmo.

Depois, tivemos o lavatecnoforma e o lavasubmarinos. Suponho que toda, ou quase toda a gente, se lembra destas mega operações. Umas, mais mega que outras, obviamente. Talvez umas cheirassem bem, outras mal.

Como para a porcaria do Freeport não houve Omo nem lixívia que a removesse, transportou-se tudo para a operaçãomarquês. Que, até ao momento, ainda não lavou nada. Mas podia chamar-se lavamarquês.

Tudo porque do Brasil nos vem todos os dias essa nojeira das notícias da lavajato. Mas, dali, já houve um juiz que pediu desculpa por ter lavado demais. É que de tanta lavagem de roupa suja, já há roupa estragada.

Há juízes assim. Esfregam, esfregam, até romper. Foi assim com o espanhol, Baltasar Garzón, mas também pode vir a repetir-se com o Sérgio ou com o Carlos. No Brasil, ou em Portugal, nunca se sabe o que vai sair.

Por cá, verifico com toda a normalidade, que decorre a grande operação limpaportas. Não se trata de nada que tenha a ver com lavaportas, mas de uma operação de lavamãos que não está ao alcance de outras sujas.

É que há muitas maneiras de lavar mãos e de limpar toda a espécie de sujeiras. Como por exemplo, a limpeza via opinião pública. Que também dá sujeira em casos já bem identificados. Pois, dá para limpar e para sujar.

Enquanto tudo se faz para encontrar sujeiras, as sujeiras já conhecidas, já julgadas e já condenadas, vão vendo as suas penas reduzidas antes de iniciado o seu cumprimento. Sem falar nas conhecidas e não investigadas.

Portanto, não adianta falar em Omo que lava mais branco, pois o teste do algodão não engana. Lavar a jato, com ou sem mangueira, ou limpar com a suavidade de umas crónicas de bem dizer, nunca mais limpam este país.