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afonsonunes

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Sim, sou tão livre como a borboleta que esvoaça em todas as direções e poisa onde muito bem lhe apetece. Mas nem sempre o faz, pois sabe perfeitamente quanto lhe pode custar um apetecimento mais ousado.

Podemos sempre fazer o que nos apetece mas, tal como a borboleta, somos demasiado frágeis para ignorar os riscos do mundo em que vivemos. A mais pequena distração e lá vamos nós desta para melhor.

Não nos basta dizer que somos livres, fortes e destemidos para que nada nos aconteça. Porque há sempre alguma coisa, ou alguém, que nos torna fracos, medrosos e indefesos. Vai muito mal quem se julgar inatacável.

A natureza criou regras para todas as espécies. Os homens criaram leis para se protegerem uns dos outros. As borboletas conhecem as suas liberdades, mas desconhecem as liberdades de quem as persegue.

Os homens confiam nas leis que fizeram para viver em liberdade. Mas não podem evitar que nem todos eles tenham o mesmo respeito por essas leis. Que nem todos eles tenham a mesma inteligência para as interpretar.

A borboleta tem mais asas que corpo. Voa muito mas não anda. O homem tem mais membros que cérebro. Muito mais manhas, que ideias. Homens e borboletas não usam bem o que têm. Perdem-se pelo que não veem.

O homem confia demasiado na força que julga ter. A borboleta confia demais no seu voo errante. Há outras forças e outros voos que não podem ser ignorados ou subestimados. Senão, todos os fortes serão dizimados.