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afonsonunes

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19 Mar, 2015

LOUVÁVEL MARTíRIO

 

Há pessoas que, aparentemente, têm uma virtude de se lhe tirar o chapéu. Pelos seus amigos, pelos seus chefes, pelos seus protetores, são capazes de aceitar todos os prejuízos, mesmo todas as humilhações.

Nesta mais que mediatizada problemática das listas, a história começou com a tentativa de martirizar trabalhadores. Era o primeiro nível daqueles que podiam arcar com culpas que outros nunca são capazes de assumir.

Depois apareceram os sindicalistas a defender os seus filiados e a coisa complicou-se imediatamente. Como de costume, tudo gente que não merecia crédito. E as hierarquias e governantes caíram em cima deles.

A verdade é que quem tem razão, pode sempre falar alto, até ser ouvido por quem está ao lado. E, quem está ao lado, nem sempre aceita ser cúmplice de quem quer martirizar, quem não aceita ser mártir à força.

E a coisa sobrou para os diretores, que estavam resguardados nos seus gabinetes e protegidos pelos governantes. Mas, também os diretores tiveram de concluir que o melhor era serem eles os mártires. E foram.

Apoiados pelos governantes, tudo parece ficar por ali. É óbvio que os martirizados demitidos, podiam fazer como os trabalhadores e sindicalistas. Chutar para cima. Mas aí, a coisa era mais complicada.

Teria de chegar ao secretário de estado. Uma complicação. Seria toda uma cadeia hierárquica que ficava em causa. E lá se ia o governo. Assim, os generosos e martirizados diretores evitaram uma grande catástrofe.

Prejudicados? Claro que não. Basta apenas esperar que venham duas boas e melhores oportunidades para os encaixar. De mártires não tiveram nada. Mas tiveram muito de salvadores. A seguir virá a sua salvação.

Mas onde é que eu ouvi contar isto? Sinceramente, não me lembra. Mas estou habituado a ter uns palpites que nunca falham. Aliás, muito me admiraria se falhasse desta vez. E mal estariam os que já se julgam salvos.