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afonsonunes

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12 Jun, 2016

Marcelo e António

 

Um presidente tem sempre uma vida muito agitada. Durante dez anos os portugueses seguiram apaixonadamente a ocupação de Cavaco Silva em Belém e em todas as suas deslocações pelo país e fora dele. Com Maria.

Sempre com Maria, pois até parecia que o presidente, sem Maria, se tornava tristonho e pouco falador. E quando falava, com Maria ausente, nem sempre acertava com as palavras certas. Sobretudo, para os amigos.

É um facto que quase todos os homens precisam de ter por perto as suas Marias, principalmente, quando hesitantes, em ocasiões mais complicadas ou na tomada de decisões mais difíceis. Aí, é a Maria que diz como é.

Antes de eleito, já se questionava a situação de Marcelo, principalmente, em relação ao protocolo de Estado. Porque não se via no horizonte político quem pudesse preencher essa lacuna. Um presidente sem Maria.

Mas, com Marcelo, as vacas não voam. Mas há sempre uma maneira de superar essa falha. Que não chegou a ser falha nenhuma, pois Marcelo depressa chamou o António que, até agora, conseguiu isso e muito mais.

Portanto, Marcelo não tem Maria, mas tem António. Se uma Maria conseguia pôr um sorriso na boca de um presidente sorumbático, um António otimista consegue pôr um presidente irresistivelmente irrequieto.

A questão que se coloca é qual dos dois presidentes é melhor para o país: o outro ou este. Obviamente que haverá sempre quem goste de qualquer deles. Mas, até agora, não há dúvida que ganha o presidente híper ativo.

É preferível um presidente que não é capaz de estar quieto, de estar calado, ou de dizer umas loas, a um presidente que só tinha olhos para a sua Maria e só recebia ordens através do olhar carinhoso da sua Maria.

O país está diferente, muito diferente. A sério ou a brincar, o presidente e o governo falam a uma só voz. Ainda que se oiçam todos os dias os rumores de rumorosos, murmurando o que lhes anda a roer a consciência.