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afonsonunes

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Amanhã, lá vão mais umas tantas medalhas para mais uns tantos ilustres que serviram o país, sem terem a oportunidade de se servirem a si próprios. Coisa que em Portugal é muito rara.

As medalhas que, volta não volta, vão para o pescoço de pessoas, perdão, de personalidades, que se distinguiram no desenvolvimento do país, faz-me lembrar o estado de forte crise desse mesmo país.

Mas também me faz pensar que, afinal, há outras pessoas que também fizeram o mesmo, no mesmo país em crise. Curiosamente, ou talvez não, as medalhas estão a seguir o caminho do dinheiro.

É verdade que elas não são baratas logo, não se podem dar a qualquer pelintra. Mas não se trata disso. Trata-se da maneira como elas são mal distribuídas. Tal como a riqueza, queria eu dizer.

Há quem açambarque medalhas e há quem não lhes veja o brilho. Ao menos que distribuíssem umas fitinhas sem medalhas a outras pessoas, daquelas de que tanto se fala e não veem um penduro.

Pergunto a mim próprio por que razão, Miguel Relvas, ainda não foi medalhado. Ministro, conselheiro do primeiro-ministro, doutor recordista de equivalências, além das suas qualidades como pessoa.  

Do mesmo modo me espanta que haja grandes nomes, como Duarte Lima, Dias Loureiro, Oliveira e Costa e tantos outros de igual valor e notabilidade que, penso eu, têm andado num injusto esquecimento.

Não tenho dúvidas de que chegará a vez de todos eles. Mas, é bom lembrar que também há outros em lista de espera. Pertencem, no entanto, a outra lista. E essa, bem podia ter José Sócrates à cabeça.

Lembrei-me agora mesmo de que a atribuição de medalhas sofre de um pequeno, talvez mesmo grande, problema. É que quem entrega as medalhas, inexplicavelmente, não pode ser medalhado. Injusto.