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afonsonunes

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02 Jun, 2018

Mentes brilhantes


Duas mentes brilhantes deram ao país uma um coisa bestial a que chamaram geringonça.

Uma dessas mentes descortinou-a no espaço sideral da sua suprema inteligência e apresentou-a ao país como sendo o exemplo do mais ridículo em política, tão ridículo que não podia durar mais que uma data de dias desastrosos.

A outra mente, meia irmã da anterior, pegou na coisa e gozou com ela até à exaustão, delirando com o sucesso das suas gargalhadas, com o futuro muito breve e escabroso dos governantes e apoiantes dessa geringonça destinada a escangalhar-se estrondosamente antes dos seus autores acordarem do sonho da sua criação.

Contudo, passados dois anos e meio, é agora a geringonça que pode gozar com essas duas mentes brilhantes, dar umas fortes gargalhadas, mostrando-lhes que quem ri no fim, ri muito melhor.

Realmente, depois de tempos de celebrações constantes e exibições de génios descobridores de verdades sem contestação, essas duas mentes do além, essas duas inteligências luminosas, parece terem-se refugiado no reino das trevas, como que fugindo para se furtarem ao ridículo de quem os olha bem de frente e sorri.

E de repente, essa incrível geringonça torna-se um exemplo, que despertou uma nova maneira de encarar a política, pela força de um novo diálogo, que integra em lugar de dividir, que suaviza extremismos em lugar de os acirrar, que promove desenvolvimento em vez de criar miséria e retrocesso civilizacional.

Exemplo que ultrapassou fronteiras, que pôs a Europa e o FMI a reconsiderar as suas escolhas económicas e a aceitar que nem sempre ajudaram os povos com as suas teorias e decisões.

Hoje foi a Espanha a adotar a sua geringonça. Causou espanto, causou comentários semelhantes aos que as duas mentes brilhantes portuguesas espalharam aos sete ventos. E vieram adjetivos como, surpreendente, inesperado, incompreensível, impensável.

Mas, em boa verdade, a geringonça portuguesa venceu o brilhantismo das duas mentes que a lançaram pomposamente. E a Espanha já está em vias de fazer da sua geringonça mais uma oportunidade de mostrar às mentes brilhantes que bem podem ter vergonha das suas tristes descobertas.

Algum dia o mundo começará a mudar. E as mentes brilhantes do retrocesso serão abalroadas por essa esperada onda de integração de todas as correntes de pensamento na tomada de decisões que lhes dizem respeito, tanto ou mais que àqueles que julgam ter o direito exclusivo de mandar em todos os outros.

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