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afonsonunes

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10 Set, 2014

MIÚDAS E GORDAS

 

 

A gente passa os olhos pelas gordas e fica com a sensação de que já está em condições de fazer uma ideia justa e correta do que se passa no país. E até habilitado para transmitir aos outros o que eles devem pensar e dizer.

Mas, se a gente se der a um pouco mais de trabalho e descer até às miúdas, começa logo a perceber que as gordas são muito enganadoras. Embora haja quem consiga fazer tudo para nos enganar com ambas.

Efetivamente, há quem nem precise de pegar num jornal para se considerar bem informado. Vai ao quiosque e olha para as gordas das primeiras páginas. Sem olhar ao jornal, ao diretor, ou ao autor dos títulos.

Há jornais para todos os gostos. Os que dizem tudo nas letras gordas da primeira página e não dizem nada nas miúdas do interior. E jornais que não dizem nada nas gordas de fora e dizem muito nas miúdas de dentro.

O mesmo se passa com aqueles títulos do início dos telejornais. Com a diferença de que os jornais não são tão iguais como os telejornais das tv’s, embora, também nestes, haja gordas e miúdas, à espera dos seus fieis.

Neste caso não são letras, obviamente, mas palavras mais gordas ou mais miúdas, com gestos mais ou menos expressivos, brandindo mais ou menos a esferográfica na mão, abanando a cabeça com esgares pessoais na boca.

E é aqui, nos jornais e tv’s, que se aprendeu muita da cultura exibida por muitos portugueses que falam de cátedra sobre tudo e sobre todos. Ao menos que diversificassem as suas escolhas, pois nem tudo é mau.

O problema consiste no facto de se ler ou ouvir apenas o que se gosta. E os gostos estão formados desde pequeninos. E ficam pequeninos para sempre. Atrofiados no que veem, no que pensam, e depois no que dizem.