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afonsonunes

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02 Abr, 2017

Moscas


Já cheguei à conclusão que não há nada melhor que começar bem o dia com a mosca e continuar a ouvir a mosca durante todo o dia. Apesar de ela picar com todo aquele carinho de moscas moles, chego a fartar-me de tanto zunir aos meus ouvidos.

Ao longo do dia vou ouvindo 'e agora pica a mosca' de Luís Afonso. E aí vem uma vòzinha de mosca morta, ingénua que nem uma mosca viva, acolitando uma voz celestial, de político anjinho, que faz um número muito mais pequeno que a leitura da ficha técnica.

Ao passar os olhos pelos jornais deparo com cartoonistas por tudo quanto é sítio. Aqui, não são vòzinhas mas bonecos, bonecos e mais bonecos. Alguns são apenas e só a transcrição de uma frase colhida em qualquer lado e figuras feias e más a quem querem mesmo apresentar como péssimas.

Talvez por isso, ou talvez não, dá a impressão que o país anda com a mosca. São tantos os abelhudos a pretender fazer gracinhas com quem não querem aprender nada, que pode haver quem, depois de picados por essas moscas, se julguem no meio de um vespereiro.

Os moscas, moscardos e mosquitos, não sabem ser engraçados como pretendem ser. Depois, agarram-se sempre às mesmas figuras, aquelas de que visivelmente não gostam, para justificar os dinheiritos, ou dinheirões, que daí lhes vêm.

Obviamente que os particulares que lhes pagam lá sabem as linhas com que se cosem. Quanto à rádio e televisão públicas, além do fartote de tanta mixordice, ainda são os portugueses que têm de a pagar. E também àquela gente toda que consta da ficha técnica. O texto dividido por tantos, são uma letrinhas a cada um, a que podem corresponder muitos euros por letra.