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afonsonunes

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Os bancos foram a forma encontrada de iniciar uma nova era da vida do país. Tudo começou com o banco bom e o banco mau, saídos da pouca-vergonha do BES. Ou melhor, da falta de vergonha de quem o dividiu.

E é, ou foi, uma falta de vergonha para com quem foi obrigado a entrar nesse conto do vigário. Também ele apresentado como bom e acabou em muito mau. Tudo por ter havido muita gente má, armada em muito boa.

Quanto a exemplos, também temos os bons e os maus. Só que também aqui, as boas pessoas estão a vender ao país, maus exemplos sob a capa de generosa dignidade. Mas, essas más pessoas já viraram bons exemplos.

Falam até de restauração da credibilidade do país. É evidente que devem estar a falar da sua má credibilidade, para que se ignore a boa credibilidade que tinham obrigação de repor, por ter ajudado a destrui-la.

Há sempre defensores do bom e do mau. Até porque o bom é sempre para os mesmos que criam o mau. Para que haja bom, terá sempre que haver mau. E nunca serão os que ficam com o mau, a elogiar os do bom.

De há muitos anos para cá, Portugal não tem tido a felicidade de viver muitos momentos bons. Mas também não tem tido, nem tem, quem seja capaz de assumir claramente o bom e o mau que tem oferecido ao país.

No entanto, nunca como agora se tentou atirar com tanta areia para os olhos dos portugueses. Talvez nunca tenhamos assistido, como agora, a uma destruição tão violenta e sistemática, do pouco de bom que havia.

Sempre houve ciclos maus e menos maus, que foram sendo ultrapassados, mesmo sem resolver os males crónicos. Mas nunca se assistiu a esta desalmada tentativa de transformar grandes derrotas em falsas vitórias.

E isso não é só culpa dos governantes passados e atuais, nem dos políticos de ontem ou de hoje. Também é culpa de quem se consola com o gozo de não querer ver para além do seu bom e do mau de todos os outros.

Finalmente, acabamos de assistir ao desfecho de mais uma guerra entre bons e maus. A Europa dos bons e a Grécia dos maus. Não é difícil ver que, dentro das cedências mútuas, quem mais perdeu foram os irredutíveis.