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afonsonunes

afonsonunes

30 Out, 2015

Muito obrigado

 

Quem faz a sua obrigação a mais não é obrigado. Tal como nada mais justo do que, depois de uma grande seca a ouvir a tragédia de um destino encavacado, se oiça o reconhecido e grato prazer de um obrigado.

Foi assim, com um obrigado, que terminou o longo, fastidioso e nem sempre claro discurso do Presidente, no ato de posse do PM, neste momento de faz de conta que era tudo a sério, até os votos e os recados.

Antes do obrigado: ‘cabendo agora aos deputados apreciar o Programa do Governo e decidir, em consciência e tendo em conta os superiores interesses de Portugal, sobre a sua entrada em plenitude de funções’ – PR.

E assim, tudo o que foi repetido pelo Presidente, antes do obrigado final, foi um pretexto para justificar o tom duro do seu discurso anterior. Deputados, apreciar, decidir, entrada em funções. Assim, já faz sentido.

Depois, até o seu obrigado final tem mais sentido. Realmente, alguém, muita gente, merecia estas palavras finais, apesar de ainda andar por ali muita coisa desnecessária. Mas isso até se compreende. É a sua oratória.

Quem não pode mudar uma linha, muda apenas as palavras suficientes para retificar aquilo que se impunha. Porque o teste do algodão não engana. E, depois de feito, se ficou escuro, deita-se fora. Estava sujo.

Já o seu indigitado, optou pela continuação da habitual hipocrisia. Falou muito mas não disse nada de novo. Continuou em tom de campanha eleitoral, como se ainda tivesse a esperança de ter mais uns deputados.

Quem nasce assim, não muda nem uma linha do seu feitio. E o seu feitio está em linha com a mentira que nos vendeu nos últimos quatro anos. O futuro até nos pode trazer o que não precisamos. Mas, mais Passos, não.

É tempo de desmistificar esta ideia de que na política nacional atual, há um tipo diabólico junto a dois diabretes, e uma data de anjinhos que estão em risco de sair do céu, por causa das diabruras desses perigosos ateus.

Todos os portugueses deviam ser obrigados, talvez pela lucidez de Cavaco, a serem sinceros e deixarem-se de falar de uns, pensando em outros. É feio esconder o que está à vista. Digam mais vezes, obrigado. Obrigado.