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afonsonunes

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A frase é conhecida e o seu autor também. E, na verdade, tirando-a do contexto em que foi proferida, ela ajusta-se na perfeição a uma hipotética briga institucional entre dois supostos amigos de muitos anos.

Não sei se essa amizade se mantem nos termos 'de dantes', embora as promessas de ambos pareçam garantir que nada mudará entre o otimismo irritante e o otimismo realista. Os termos irritante e realista são do mesmo autor, apesar do primeiro ter sido usado agora pelo sorridente otimista irritante.

Agora, nos meus prognósticos que não irritam ninguém, nada ficará como dantes no curto prazo, entre os dois amigos inseparáveis.

Simplesmente porque, para já, ambos precisam de igual modo um do outro. Não estou a ver como ficaria o país depois de uma briga a sério. Portanto, que não se entusiasmem muito os que dali espreitam uma oportunidade para voltar mesmo 'ao dantes'.

Porém, o que muda, é a atitude de um para o outro em tudo o que disserem. Tudo será mais pensado e mais comedido para que a amizade não descambe em divergências que fiquem arquivadas na memória de ambos e, quem sabe, para memória futura.

O que foi dito por um, e o que o outro não fez para que não houvesse grossa contestação ao que foi dito, vai manter discussões abertas com algum vigor durante muito tempo. Desde logo, porque está em causa o que cada um pode e não pode fazer nas suas altíssimas funções.

Já se fala em questões de regime e isso não é um pormenor de somenos em democracia. Tal como não o é o facto de se ser mais ou menos sensível a questões de liberdades de opinião individuais e responsabilidades coletivas.

Fala-se de censura ou falta dela, mas também se fala de entrada por campos que mexem com a dignidade de outros e de aproveitamento da contenção alheia.

Por tudo isto, se é que não há mais, há quem se agite e quem se manifeste como se o país já estivesse de pernas para o ar. Não, não está e não o estará, muito provavelmente, nos tempos mais próximos.