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afonsonunes

afonsonunes

08 Mai, 2019

...nando Nogeira

 

Li hoje um texto, já não sei onde, de um articulista de que não me lembro do nome, onde o elogio a um pobre diabo que não exerce a sua atividade de origem, mas pela qual recebe salário há cerca de vinte anos, me parece tão justificado e louvável, como a lógica e a seriedade da atividade desse mesmo articulista louvador.

Certamente que ambos devem ser avaliados profissionalmente por alguém que os manda dizer o que dizem e fazer o que fazem. Certamente que, o que dizem e fazem, é exatamente, aquilo que lhes mandam dizer e fazer.

Para o caso ser, Nogeira ou ser Ferreiro, acaba por ser tudo igual ao litro, pois um e o outro vivem da falta de decoro naquilo que dizem e fazem, ambos julgando estar a prestar um grande serviço a quem os segue. Ambos vivem dos elogios próprios e dos insultos a quem não tem nada que se compare com os desmandos profissionais dos seus detratores.

Ambos, elogiador e elogiado, se inserem numa determinada classe de profissionais do insulto, hoje mais ou menos vulgar em sindicalistas, jornalistas, políticos, comentadores e outras atividades que se relacionam com a comunicação, informação e relacionamento dentro da sociedade. Insultar, tornou-se um meio legal de ganhar a vida, um modo impune de estragar a vida a muita gente séria.

É espantoso como se conseguem apresentar de cara lavada perante tantos cidadãos que, de boa-fé, querem acreditar no que ouvem ou veem fazer, mas não podem deixar de ficar de boca aberta quando se deparam com duas versões completamente opostas de um facto que não comporta a mentira descarada de uma dessas versões.

Obviamente que muitas vezes nem todos os cidadãos têm cultura, conhecimentos ou preparação para saber separar a verdade da mentira. E não há nada pior que ficar no ar a dúvida de qual desses profissionais é sério e qual deles é um burlão que vive precisamente à custa de quem é enganado, por quem se especializou em vender banha da cobra.

O país está cheio de Nogeiras e Ferreiros que são capazes de elogiar o mais refinado dos vigaristas, só porque ele insulta maravilhosamente quem lhe interessa que seja insultado. Como se isso fosse uma virtude que lhe dá um currículo de profissional impecável quiçá, o melhor e o mais apetecível currículo para ter avaliações de desempenho que lhe melhoram de ano para ano a sua nojenta e inútil atividade fora de uma carreira que, em alguns casos, já esqueceram há muitos anos.