Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

25 Jun, 2015

NÃO CONFUNDIR

 

Diria mesmo que era bom que não se tentasse criar confusões entre duas situações completamente diferentes. Uma, o radicalismo de credores que arruínam pessoas e países. A outra, o radicalismo que defende as pessoas.

Parece uma coisa esquisita mas não é. Os credores são radicais na maneira como sugam sempre, até à exaustão, sem olhar a meios nem a fins, mesmo quando obrigam a políticas que tornam impossível pagar-lhes.

Por outro lado, os devedores não podem partir de posições radicais do tipo, não pagamos, quando sabem que precisam dos credores. Mas podem, devem, contestar energicamente os erros de quem os estrangula.

Aliás, não é difícil perceber que todas as espécies de prepotência e de violência, acabam por ser as maiores causas para o aparecimento de radicalismos. Ninguém, exceto os mártires, aceita morrer sem resistir.

O grande problema é que os credores são tidos, logo à partida, como milagrosos salvadores. E assim continuarão para uma certa elite de fiéis servidores e defensores. Mesmo se, na prática, forem incorrigíveis agiotas.

Quando alguém se revolta contra esta selvajaria, pode ter sido sempre radical no que diz e no que faz, mas não deixa de estar do lado da moral e da justiça, quando não se presta a vergar-se perante quem é pior que ele.

As dívidas são para pagar, sim, isso não se discute. Mas se elas se vão agravando com o tempo, até serem insolúveis, por culpa de quem pede sacrifícios inúteis, que só inviabilizam o pagamento, aí não há volta a dar.

Porque a volta, é a revolta contra quem está desse lado. Contra quem só olha para o lado do, pagas ou morres. Por mim, tenho pena dessa gente, que também acabará por morrer, obtendo ou não o prémio da agiotagem.

Os puros defensores de uma moral cínica, em que o dinheiro é tudo para quem o tem e nada para quem não pode tê-lo, porque não chega para ele, é um claro sinal de que o mundo e o país estão mesmo radicalizados.