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afonsonunes

afonsonunes

08 Abr, 2015

NEM AQUI NEM AÍ

 

Disse o irrecuperável vice primeiro-ministro que não estava, nem aí. Lá bombástico, ele está sempre. E sempre com aquela graça de riso aberto, como que valorizando ao máximo tudo aquilo que ele julga dizer tão bem.     

Ele está sempre em qualquer lado, mas não está, quase sempre, onde devia estar. Por isso, nem aí, deixa de se ouvir o seu gracejo, deixa de se ver o que não faz, deixa de se fazer sentir que, nem aí, está a fazer falta.

O país precisava que o vice estivesse lá, para dizer que não está, nem ali, para dar cobertura ao total destrambelho do governo sob a sua vice responsabilidade. É que, nem aqui, ele consegue descolar do que julga ser.

Ainda hoje, ao passar em revista os jornais diários, só não corei de vergonha, porque já não dá para isso. O primeiro-ministro está por todo o lado. Já não basta o seu presente. Todo o seu passado começa a arrepiar.

E o seu vice, que por acaso até nem está por aí, atira bombásticas frases para o ar, dá uma risada fantástica, fugindo de imediato a qualquer pergunta drástica. Um governo bicéfalo, com problemas monocéfalos.

Mas, a bicefalia de passados e presentes de ambos, assenta que nem uma luva, em ambas as mãos de cada um deles. Nem por aqui, nem por aí, eles podiam deixar de ser um só. Unidos para o bem e para o que não é bem.

Pois, porque não há mal nenhum, em nenhum deles. Ambos sabem bem o que cada um faz, mas não sabem bem o mal que fazem. Não um ao outro, evidentemente. Mas, nem aí, encontrarão razões para um desencontro.

A vida é feita de encontros e desencontros. Que o diga este país que sabe bem as consequências do encontro de ambos, que não foi casual, há quatro anos. E o país devia saber quanto lhe vai custar um novo encontro.

Sim, não será um encontro à esquina, para tocar a concertina, como diz a cantiga. Nem para cantar o só li dó. A música da velha cantiga deles é conhecida. A letra da cantiga nova que aí vem, pois, nem aqui, nem aí.