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afonsonunes

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18 Jun, 2014

NEM PINTADOS

 

 

Eu diria que há portugueses que já não podem ver a cara de muitos outros portugueses, independentemente de os verem ao natural, ou de rosto pintado com a cor da gravata que usam preferencialmente.

Por exemplo, o general Garcia dos Santos não pode ver Cavaco, nem pintado. Tão pouco aceita sequer olhar para a cara dele. Parece-me óbvio que pode bem vê-lo de costas, pois apenas a cara o incomoda.

Aliás, eu diria, sem receio de me enganar muito que, tal como o militar de Abril, muitos portugueses teriam um enorme prazer em ver Cavaco pelas costas. Talvez temendo, sobretudo, pela sua saúde.

O senhor general, palpito eu, deve detestar ver caras pintadas de cor de laranja. O que não quer dizer que deteste, ou não goste, de laranjas, ou da cor da laranja ao natural. De más pinturas é que não.   

Achei um tanto despropositado dizer que não aceita olhar para a cara dele. Mas haverá alguém a pedir-lhe, ou a ordenar-lhe, que olhe para a cara de alguém? Aliás, até pode olhar para outro sítio. Se gostar.

Por exemplo, podia olhar para a cara de Seguro, agora muito na moda. Ou para a cara de Costa, agora um autêntico vilão. Já para não falar na cara dos juízes do TC, agora mais vilões que Sócrates.

Mas, há tanto para onde olhar, senhor general. Olhe para a cara de um Coelho que já não sabe o que diz. Ou para a cara de um Portas que, sei lá como, ainda consegue ter motivos para se rir de nada.

Mas, sobretudo, olhe para a cara de quem ainda vive feliz e contente com o que tem e com o que muitos, mas mesmo muitos, já não têm. Olhe para a cara daqueles que vão esquecendo tudo o que disseram.

Olhe para a cara de todos aqueles que vão pintando a cara a condizer com a cor da gravata que escolhem no dia-a-dia. Quanto a Cavaco, deixe lá, senhor general, ele não se pinta. A cor da cara é assim.