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afonsonunes

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O Senhor Presidente da República já mandou para lá a sua mensagem. A Senhora Procuradora Geral da República já garantiu de lá, do Algarve, que os Inquéritos ao BES vão demorar o tempo que for preciso. Muito bem.

Por outro lado, o Ministério Público reclama autonomia financeira. Muito bem e muito mal. É justo e inquestionável que não se pode prender a malandragem sem gastar dinheiro. Sobretudo com os que andam na rua.

Por outro lado, não se pode gastar dinheiro a prender os que estão em casa, como se andassem fugidos em parte incerta. E demorar tantos anos a olhar para eles, sem uma palavrinha ao ouvido: venham daí comigo.

Estou absolutamente convencido de que a ideia da PGR e o desejo do MP, nada têm a ver uma, com o outro. Demorar o tempo que for preciso e gastar o dinheiro que for preciso. Estou certo de que é o que se tem feito.

Porém, os resultados reais, em termos de eficácia, é que parece que demonstram que não é bem assim. Basta recordar inquéritos que duraram muitos anos e no fim, como diz o Zé pagante, a montanha pariu um rato.

Sendo assim, parecia-me mais sensato que, verificada a impossibilidade de agarrar a malandragem, se parasse para pensar, e não pensar mais nisso. É que tempo é dinheiro e há momentos em que há que deixar ideias fixas.

A especial complexidade de alguns processos, ou inquéritos, tem custado muitos milhões ao país. Mas, a autonomia financeira pode vir a custar, a mais, muitos outros milhões, sem conseguir qualquer retorno dos alvos.

Gastar tantos milhões para recuperar muito pouco, ou nada, de certa malandragem, mais vale deixá-la em paz. Ao menos que os deixem gastar os milhões, pois pode ser que alguém beneficie. Inclusive o estado.

Hoje, a justiça entrou em peso no Algarve. Vai carregada de inquéritos e processos que lhe não podem dar muita tranquilidade para falar deles sem angústia. Os portugueses, angustiados, não esperam nada de novo.