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afonsonunes

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25 Nov, 2020

O Bloco bloqueou

Amanhã, quinta-feira, vai votar-se o Orçamento de Estado para 2021, depois de muito se falar de geringonça morta e de muitas outras peripécias de receitas e despesas em tempo de pandemia relativas ao próximo ano. Desta vez é um orçamento muito sério, porque vai cobrir um período em que há quem esteja a querer descortinar um furo, precisamente por onde possa furar.
O Bloco já decidiu que não quer agora mascarar-se de partido bonzinho de uma geringonça em que tudo tinha de ser aceite pelo PS para que umas tantas classes profissionais lhe dessem o favor dos seus votos a fim de ter mais um ou outro deputado nas futuras legislativas.
As Ordens da saúde são bem o exemplo dessa estratégia de bota abaixo, sempre obedecendo ao princípio de que são uns bons milhares de militantes dos seus partidos que, semeando exigências profusamente divulgadas e que ultrapassam em muito o sindicalismo e a intransigência do pior que tem o corporativismo.
A lógica do desejo de ter mais uns deputados até nem é condenável se atentarmos nos objetivos de partidos não candidatos a governar o país. O que não conseguem pela via da urna, entendem que o devem conseguir forçando, por vezes chantageando, quem tem probabilidades de governar, a aceitar as suas propostas sem ter em conta as disponibilidades reais do país.
E, obviamente, porque está à vista uma 'bazuca' tentadora. Se a geringonça de esquerda já perdeu o velho poder de fogo, há que procurar outra geringonça para mostrar que geringonças pode haver muitas: de esquerda, de direita ou mistas.
A de esquerda desconjuntou-se. A de direita nasceu agora nos Açores e está a rebentar com tanto vento e respetivos temporais. A geringonça mista, prepara-se para tomar conta do país, juntando uns laivos de esquerda a uns ajuntamentos de direita.
Ajuntamentos de direita que tanto se insurgiram por o PS se ter metido nessas andanças, abraçam-se agora para que o PSD possa ter algumas probabilidades de concretizar o sonho de voltar a alimentar o seu exército esfomeado e disperso por sucessivas tentativas infrutíferas de o conseguir.
Geringonças de sinais contrários têm sentido. Agora uma geringonça mista, está condenada a um bloqueio permanente, até porque nem o Bloco nem os seus prováveis geringonceiros chefiados pelo PSD, têm qualquer possibilidade de poderem juntar ideias conjuntas para arrebanhar massivamente votos de radicalismos tão diferentes.
É evidente que neste momento, reclamando apoios para que ninguém perca nada com a pandemia, esquecem que alguém terá de pagar todos os euros distribuídos atribiliariamente como pretendem. Logo que termine esta situação de aperto generalizado, são estes mesmos que virão tentar crucificar quem gastou (ou roubou como alguns irão insinuar) todos fugindo à necessária recuperação do país que também é deles.
Enfim, receber todos querem e não há ninguém que recuse. Pagar o que se reclamou, será sempre só com o Estado. Mas o Estado são os que receberam e os que pagaram. E, obviamente, os que vão pagar. Espera-se que ninguém bloqueie a obrigação de todos os portugueses cumprirem com abertura e solidariedade, segundo os seus deveres e haveres, para que o país se possa levantar de novo.

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