Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

11 Mai, 2016

O buzininho

 

Estava anunciado para ontem ao fim do dia, um grande buzinão contra as obras no eixo central da cidade de Lisboa. Criou-se um certo alarme entre os habituais utilizadores daquelas vias rodoviárias. Pois, as obras e isso…

Segundo li, o buzinão não passou de um buzininho. Afinal, nem as obras, nem as poucas buzinadelas afetaram o trânsito que terá decorrido com toda a normalidade daquela hora do dia. Os organizadores, coitados…

Obviamente que devem ter assistido àquilo com um melão de todo o tamanho. Escolheram mal o tema, pois havia muitos tipos de interesses aos quais podiam ir buscar mais adesão. Por exemplo, a escola dos filhos.

Certamente que tiveram o mesmo receio que o seu inspirador, o desmemoriado Passos, que anda a trocar o passo. Dizem os entendidos que se meteu com os interesses do Nogueira, que se lembra dos impostos.

Certamente, de pagar pontualmente os seus e também se lembra de quem se esqueceu de os pagar. Logo, Passos tem má memória e Nogueira não. Ora, isso é mau para quem não sabe o que é ser professor no público.

Nogueira sabe e Passos não sabe. Nem sequer o que é ser professor no privado. Mas Passos também não sabe, e devia saber, que o público tem de ser defendido pelo estado. Logo, nunca deve privilegiar o privado.

Agora, aquilo a que achei mais piada nas parvoíces sobre esta matéria, foi o descaramento do dito desmemoriado de que o estado não devia, ou não podia (?) construir escolas perto de estabelecimentos do ensino privado.

Vem isto a propósito do buzininho de ontem em Lisboa, para dizer que o apregoado buzinão devia ter sido convocado para ir de Belém a S. Bento. E aproveitar os veículos para levar as cartas que foram de carrinhos de mão.

Os protestantes gastaram tanto papel, que no próximo ano letivo podem tirar o cavalinho da chuva. Não haverá papel para lhes fornecer livros grátis para os filhos. Sem livros não haverá aulas. Mas haverá equitação.

É evidente que é muito menos lógico que as escolas privadas tenham uns ares atrativos especiais para que sejam preferidas às escolas públicas, quando a estas faltam meios para se manter num nível abaixo do razoável.

Além disso, convinha que os buzinadores que andam no meio desta barulheira tão nojenta, quanto as que costumam buzinar, o fizessem dentro da verdade dos factos. É que, a dita catástrofe, não existe mesmo.