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afonsonunes

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24 Mar, 2015

O CHEIO E O VAZIO

 

Custa muito a acreditar que um cofre completamente vazio, possa encher em quase quatro anos, sem uma daquelas artes mágicas de um pilha galinhas qualquer. É que nem se pode dizer que o cofre estava meio vazio.

E, também agora, não se pode sequer imaginar que o cofre pode estar meio cheio. Não, está a rebentar pelas costuras. Temos mesmo de ter muito cuidado pois se ele rebenta, rebenta mesmo com os portugueses.

Portanto, com tanta magia à nossa volta, cuidado, que nem todos os truques são de confiança. E de menos confiança ainda, são os ilusionistas que andam em delírio, certos do êxito da reposição de velhos reportórios.

E depois não falta quem, sabe-se lá porquê, com todo o amadorismo e com muita vontade de imitar ilusionistas, tente tirar coelhos da cartola, melhor dito, da tola, na esperança de que ajude ao espetáculo circense.

Realmente o espetáculo promete e à volta do circo já se nota aquela agitação própria de quem não quer perder pitada dos artistas, de todos os artistas, do palhaço rico ao palhaço pobre, que vão fazer entrar massas.

Massas, que vão encher cofres, mesmo os que já estão cheios, porque os vazios, não vão passar disso mesmo: cofres vazios. E rotos. Para sempre. Ao lado de cofres que alguém encheu, mas que depressa virá limpá-los.

Sim, porque os cofres cheios, também se limpam. Normalmente, por quem se orgulha de os ter enchido. Não interessa agora saber como se limpam, tal como não interessa saber como se encheram. O circo o dirá.

Ainda cá fora, os portugueses, quase todos os portugueses, já pagaram bilhete. Uma exorbitância. Por enquanto ainda só viram leões e camelos. A comer muito e bem. Quando o circo fechar portas, se verá a cara deles.