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afonsonunes

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O país está cheio de clubes, quase todos rodeados de uma aura de prestígio e laureados com medalhas de todos os tamanhos e feitios. Quase todas também, cheirando às mãos que pomposamente as impuseram.

De entre todos esses clubes sobressai agora, o CVA, pelas suas atividades que não param, pelos seus membros da mais alta distinção e pelos seus adeptos que se caracterizam pela devoção ao clube e aos seus membros.

O CVA é constituído por todos os membros que, comprovadamente, pratiquem a vigarice de forma continuada e eficaz. Continuada, por não terem férias e eficaz, porque não basta apregoá-la. É preciso mostrá-la.

Não é adepto do CVA, quem só quer ver se tem jeito para a vigarice. Pode não ter jeito para ela, mas defendê-la com unhas e dentes, pois nenhum clube sobrevive sem os milhares que lhe batem palmas e pagam cotas.    

Já ouvi dizer que os membros do CVA não emigram. Fez-me espécie, essa revelação, pois o país está a esvair-se lá para fora e há um clube que consegue fugir a esse flagelo. Fartei-me de pensar nisso e cheguei lá.

É que essa gente tem um dom muito especial. Diria mesmo, um dedo afinadíssimo, cuja sensibilidade só funciona neste nosso bom clima. Estão perfeitamente localizados. Devido à sua especialização, até dão nas vistas.

Há quem diga que são todos uns ignorantes e idiotas. Como se a gente acreditasse. Ignorantes e idiotas são todos aqueles que não conseguem fazer o que eles fazem. Ou alguém pensa que eles não trabalham bem?

Como todos os clubes, o CVA só tem um problema. É a clubite aguda que inunda o clube da cúpula à base. Querem tudo para eles. Não admitem empates nem derrotas. Só sabem cantar vitória. Mesmo quando vencidos.