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afonsonunes

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11 Out, 2014

O CRIME

 

Depois de duas horas a gritar por Portugal, aquele Portugal que guerreava a França no Parque dos Príncipes, em Paris, chegou a hora de acalmar e pedir, melhor, exigir, que os portugueses se concentrem noutras guerras.

Ao que tudo indica, o casamento forçado vai passar a ser crime. Nada de mais justo, desde que se saiba destrinçar corretamente o que é forçado, do que é simplesmente consentido, pela força de diversas circunstâncias.

Obviamente que, a existir esta força, o casamento já é forçado. Passemos isto para a realidade da nossa política. O casamento PSD/CDS já mostrou que não funciona, sempre que é preciso mostrar que há união de facto.

Ora, se não há união, não há amor e se não há amor, não há casamento. Ou, por outras palavras, há um casamento forçado, por mais que nos pretendam convencer de que esse casamento é a nossa salvação.

Pelo contrário, é a nossa condenação, quando não temos qualquer culpa dos crimes, explícitos ou implícitos, que envolvem quem tem o poder de nos condenar. E o poder de se absolver dos seus próprios crimes.    

Não podemos condenar ninguém por não confessar espontaneamente as suas atividades criminosas. Mas temos o direito de ver atuar, com inteira liberdade, quem tem a obrigação de averiguar a verdade. A única e a pura.

Sonegar a verdade pode ser crime. Impor a mentira através de casamentos forçados já é criminoso. Por mais que se louvem as virtudes de escolhas democráticas, quando essas escolhas, já de si, são forçadas.

O casamento PSD/CDS está a levar o país para um perigoso campo de batalha onde os contendores já sabem de antemão qual é o vencedor e o vencido. A batalha não se vence pela luta séria, mas pela força do poder.

E a força do poder, conta com outra força determinante. A força de um quarto poder que, na sua quase totalidade, nunca foi tão complacente, tão permissivo, tão silencioso até, para tapar o sol com a sua peneira.

A Assembleia tornou-se o palco da força bruta de um divórcio que luta por uma união impossível. As comissões são a farsa escolhida para a representação diária. O governo já é um ator fora de cena, mas declama.

Chegou a minha vez de declamar. Depois de quase duas horas aos saltos na poltrona, já estou exausto. Mas o que é que eu havia de dizer. Tinha de desabafar. A minha esperança é que ninguém diga que fui forçado a isto.