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afonsonunes

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'Foi uma coisa de repente que passou e que parecia o diabo'. Retirei esta frase de um meio de comunicação social num destes dias após a tragédia de Pedrógão Grande. Ela terá sido o lamento de alguém que milagrosamente escapou a esse diabo que deixa a dúvida se ele pareceu que o era, ou era mesmo o que pareceu ser.
Na simples e modesta caracterização do que acabara de ver e sentir, este sobrevivente diz muito mais com esse seu desabafo, que quase todas as análises feitas por especialistas em deturpar a realidade que descrevem à sua maneira.
Pintando quadros com a cor dos óculos que mais lhes convém, criam perguntas, muitas perguntas, sobre hipóteses que pretendem atingir objetivos que não têm a coragem de colocar claramente, preferindo deixar os seus pensamentos ou dúvidas, na mistura de fumos, poeiras e cinzas que pisam cautelosamente.
Desde há longos meses que alguém previu a visita do diabo ao país. Os portugueses que sentiram essa ameaça sobre as suas vidas, estavam gradualmente a esquecer essa maldição, quando agora, sentem que, afinal, sempre há um diabo, identificado ou anónimo, que anda por aí.
Bem visível, é o diabo das perguntas prematuras, o diabo das respostas que se ensaiam, o diabo que se deseja ver instalado nos lugares desejados, o diabo das coisas qe nunca mais acontecem.
'Isto não foi um incêndio, foi um furacão de fogo'. Outro desabafo de outro sobrevivente da mesma tragédia retirado das notícias. É óbvio que, a seu tempo, tudo deve ser questionado. Até a maneira como as notícias foram retiradas do fogo e do fumo assassino e lançadas chocantemente para a frente dos olhos inconsoláveis das vítimas que tudo perderam, menos a sua própria vida.
Durante muitos anos ninguém fez nada para iniciar as mudanças necessárias. Mudanças que levam tempo a implantar e não surtem efeito senão a prazo. Mas há quem se indigne com quem já fez algo, até a nível legislativo, para iniciar a mudança mas que, obviamente, ainda não resolveu o problema, melhor, os muitos problemas que há para atacar as soluções.
Para aqueles que agora clamam por que se façam todas as perguntas, apetece dizer, que têm toda a razão. Pois também muitos deles, têm muitas respostas para dar por tudo o que fizeram de errado ou, simplesmente, não tiveram competência para mexer uma palhinha sequer sobre o assunto.

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