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afonsonunes

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O Rio é aquele fio de frescura que vem do alto da Serra da Estrela, Mondego de seu nome, qual ribeirinho que brota de rochas quase inacessíveis e vai crescendo à medida que vai descendo. O político Rio nasceu em meio urbano, teve várias fazes do seu percurso, umas melhores outras piores, tornou-se mediático junto à foz do Douro, onde nadou contra a corrente nos domínios do dragão, mas obteve louros no edifício do cimo da praça onde morou e criou simpatizantes pela forma como soube separar a loucura da rua da lucidez de uma casa de respeito.
O político Rio continuou a sua viagem de norte para sul, deixando para trás a cidade do Porto, com semelhanças de cidade condal, ou capital do norte, para fazer uma paragem turística junto ao Choupal, em Coimbra, para refletir sobre o Rio Mondego que ali se espraia calmo e sereno nos quentes dias de verão, onde as águas não são tão azuis e turbulentas como as do Douro na agitada aproximação à sua foz. Foi nessa mudança de estilo político que Rio começou a crescer à medida que foi descendo.
E foi assim que chegou a Lisboa terra de mouros, cheio de boas intenções e percursor de mudanças no sentido de 'suavizar' os azedos celtiberos que ali já existiam, demasiado azuis que pretendiam 'agitar' os sonsos mouros, tornando-os mais virados para uma nortada que lhes refrescasse a face e fizesse do país um paraíso unicolor, mas com tons de meio azul, meio verde e vermelho. Esta matemática interesseira até chegou a ter algum sucesso dada a paciência sulista e a sua tradicional vontade de estar de bem com todos.
Porém, o político Rio começou a levar longe demais os seus ousados conceitos reformadores e eis que se viu no Terreiro do Paço, no mar da Palha, mistura de terreiro e de rio, onde os dragões são poucos e não sabem nadar, mas são muitas as feras, as aves de rapina, os papagaios e os abutres, todos formando uma mistura explosiva que só um verdadeiro domador e tratador de zoológicos poderia acalmar. O político Rio sentiu-se estranho neste palheiro inflamável e começou a ter medo do fogo e a ter muitas dificuldades em sobreviver.
Palheiro inflamável, medo do fogo, aves e feras a mais, tudo isto fez com que chegasse a este estado de espírito instável, contrastando com a azulada fumarada dragoniana das suas origens. Foi assim que nos apareceu agora um político Rio, com correntes de vertigens incoerentes e perigosas, contrastando com lagos reduzidos de calmarias curtas, por vezes aparentemente tranquilizadoras. Mas as instabilidades, os deslizes, os perigos, as incoerências e algumas frequentes semelhanças com espécies incivilizadas fazem dele uma perigosa incógnita.