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afonsonunes

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Normalmente os fanáticos não admitem que o são, mas adoram falar de fanatismos. Deve ser uma espécie de vírus que têm entranhado nas profundezas do seu corpo e domina visivelmente o seu pensamento.

Não se nasce com esse vírus, mas pode ser-se contagiado em idades mais vulneráveis, como a adolescência. Não sendo doença congénita, pode vir dos pais, ou de pessoas muito influentes no seu processo formativo.

Qualquer fanático tem o direito de o ser e de falar abundantemente de todos os fanatismos que lhe parece descobrir a todo o momento em quem anda à sua volta, mais perto ou mais longe da sua área de influência.

Quando o fanático atinge um certo nível social e político, é um veículo permanente de transmissão do seu fanatismo, colocado no meio de uma cadeia. Recebe orientações fanáticas de cima e transmite-as para baixo.

Em casos muito especiais, o fanático consegue mesmo sobrepor o seu fanatismo a quem devia orientar o seu. É uma espécie de aluno que submete o professor à sua interpretação da sebenta que recebeu dele.

Se lhe for permitida a expressão, sabendo-se muito expressivo, o fanático intermédio não quer parecer um fanático qualquer. Quer ser mesmo o fanático dos fanáticos, o expoente máximo de todos os fanatismos.

Muitos deles de sua autoria, mas muitos mais, recebidos do mais alto das suas fontes orientadoras. Mas que segue à risca como se fossem da sua lavra. Não esquece que é um fanático intermédio, mas todo-poderoso.

Este fanático de quem estou a falar, é um fanático chato, contraditório e inconstante. Diz hoje o que negou ontem e elogiou ontem o que condena hoje vigorosamente. O seu fanatismo, é ver parvos a crer no que ele diz.