Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

19 Mar, 2016

O governo sombra

 

Passos Coelho pretende criar um governo sombra para levar António Costa a fazer o que o herói de Massamá entende que devia ter concluído em quatro anos e não conseguiu. Mas vai conseguir esse governo sombra.

O que ele não vai conseguir nunca, é um governo sol. Viu-se pela nebulosidade política dos seus quatro anos de mandato. Viu-se pela escuridão em que o país ficou, até no que toca à tão propalada corrupção.

Quanto a esta praga que todos condenam, mas quase todos a praticam, está bem claro que uns têm a fama, mas outros têm o proveito. Portanto, de governo sombra, ficamos nós fartos desta farsa de quatro longos anos.

Agora, que Passos pode ter um novo governo sombra, sem dúvida. Pode, por exemplo, juntar-se àqueles quatro do programa de televisão com esse nome. Ou então substituir um deles, aquele que, de caras, está lá a mais.

Pode também reconstituir o seu elenco ministerial passado. Só que, em lugar de S. Bento, terá de reunir, por exemplo, na Ajuda, naquele espaço que sobra a Cavaco para as suas meditações sobre os saudosos roteiros.

Tal governo sombra não poderá contar com a prestimosa contribuição do inigualável Portas, nem da cristalina Cristas. Nem tão pouco do afirmativo ciclomotorista Pedro Mota, nem do cómico e bom imitador Pires de Lima.

Dois deles, a caminho das televisões que estão a ficar sem assunto. Com eles, a TVI vai esquecer Marcelo e a SIC vai prescindir do baixinho Mendes, já fora das fontes milagrosas. É preciso renovar e inovar para sobreviver.

É o que está a fazer Cristas. Diz ela, que nunca se sentará à mesa com o atual governo encostado às esquerdas radicais. Obviamente que, na mesa das esquerdas radicais, não se come como à mesa das direitas radicais.

No entanto, vem aí a mesa do governo sombra, onde se sentarão os representantes dos que ganham num dia, o que um trabalhador pobre não ganha na vida inteira. É claro que isso não é sombra. É viver ao sol.