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afonsonunes

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Felizmente que não se concretizou o que me veio ao pensamento quando vi a bola de ouro exposta em Belém, antes de Cristiano Ronaldo ter recebido a medalha que lhe foi imposta pelo presidente.

Aliás, a cerimónia foi muito bonita, ia toda a gente muito bem vestida e tive a grande, e talvez única, ocasião de ver em ação a diligente assessora da presidência para a juventude e desporto. Gostei mesmo.

Agora, o meu grande receio teve a ver com a bola de ouro e com a medalha. Era muito ouro. E estava ali por perto pelo menos um ministro. Que, não sendo das finanças, é de um governo que precisa muito de ouro.

Sim, eu sei que o governo tem lá muito ouro escondido não sei onde. Suponho que deve estar todo empenhado. Daí o meu grande receio. O ministro não deve ter tirado os olhos daquela bola e daquela medalha.

Longe de mim a ideia de querer deitar-lhe a mão. Não, o ministro não é desses e, além disso havia ali muita gente a ver. O problema, pensei eu, era outro. Não conseguia esquecer que esse ministro também fazia cortes.

E então levei todo o tempo da cerimónia a pensar nisso. Nem ouvi os discursos. Não tirava os olhos das mãos do ministro. Para ver quando é que ele ia cortar um bocado de ouro da bola e uma raspa da medalha.

 Agora estou arrependido. Se é verdade que o governo corta em tudo, era uma parvoíce da minha parte imaginar sequer que, mesmo considerando que o faria a título de imposto, estragaria duas peças tão valiosas.