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afonsonunes

afonsonunes

06 Mai, 2016

O homem da caneta

 

Obviamente que quem tem uma caneta, é porque quer escrever qualquer coisa para chegar ao contacto com alguém. Normalíssimo. Já não é normal ter uma caneta na mão, mostrando-a de aparo em riste, enquanto fala.

Também me parece um bocado descabido que o homem da caneta gesticule abundantemente enquanto fala, fazendo variações de voz, de modo a que as entoações correspondam ao seu estado de alma atual.

Do mesmo modo que entendo que o homem da caneta tem uma predileção especial por um piscar do olho quando se julga frente a alguém a quem quer agradar. E isso acontece principalmente quando se vai calar.

Tenho cá para mim que o homem da caneta em riste, quando sente lá no fundo as suas antipatias, gostaria de ter na mão uma longa espada bem afiada, no lugar da caneta, para usar ao ter de falar de quem detesta.

O homem da caneta sente que alguém está a tentar pressioná-lo no sentido de lhe retirar liberdade de se exibir. Só que não está à mesa do café em amena conversa com os seus comparsas. Aí, pode dizer tudo.

Acontece que o lugar onde se exibe é o seu local de trabalho e esse trabalho não é exibição, é serviço público. O que se lhe exige é, que não diga o que não devia dizer, e que não o diga do modo ridículo como o diz.

Acontece que ninguém pressiona um funcionário público quando se lhe faz ver que está a entrar por uma porta que lhe devia estar fechada. Forçá-la é um abuso que, sem dúvida, favorece uns e prejudica outros.

Imagine-se o poder que um pivot da televisão pública julga possuir, ao pôr no ar os seus manifestos ódios de estimação, ou as suas indisfarçáveis simpatias. E então em política! Dar notícias, não é vender banha da cobra.