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afonsonunes

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20 Mai, 2020

O Manel e a Pateta

A nossa vida política é fértil em contactos e contaminações, que é como quem diz, que andam muitos vírus no ar que todos respiramos. Esses vírus, normalmente, não chegam a ser batizados com nomes em que entram letras e algarismos, por vezes separados com hífens.

É o caso dos vírus que a comunicação social tanto gosta de oferecer a quem tem a paciência de a percorrer diariamente com olhos ou com os ouvidos de quem necessita de emoções, umas fortes, outras nem tanto, mas quase sempre com laivos de intriguices, quando não de cretinices.

Isto fez-me lembrar a história do Pateta Manel que era muito mais Manel que pateta. Ou a história da Ana Pateta que, nitidamente, era muito mais Pateta que Ana. Mas isto são histórias que ninguém conhece senão eu, ou não fosse o meu vício de inventar histórias de patetas.

O Manel e a Ana são duas faces de patetas muito diferentes. O Manel é um caso de visibilidade muito antiga que tem um fundo cimentado em cultura e uma vida de glórias e tragédias de que muito se orgulha.

A Ana é um caso de visibilidade apenas através de casos esquisitos e estranhos em que se atira a tudo o que é gente grada, visivelmente para que as parangonas das notícias se colem a ela. Depois, colhendo mais os frutos podres das notícias, que o resultado de serviços úteis à sociedade.

Não me parece que o Manel e a Ana alguma vez tivessem uma proximidade visível ou mesmo aparente. Parece-me até que não mostravam nada para que levasse a associá-los em defesa ou ataque de temas polémicos que aos portugueses merecesse uma atenção especial.

Polémicas são o forte de muitos Patetas Alegres e de muitas Anas Patetas. Que de cada vez que abrem a boca é um ror de polémicas só porque, principalmente, por parte da Ana, desanca sempre em alguém que vai logo para primeira notícia do dia, durante vários dias.

A Ana polémica meteu-se com estrelas da bola e o Manel não se indignou. Tal como nunca se indignou com casos de baixa política e de rasteiras fora dos relvados. Porém, a Ana Pateta exaltou-se e sentiu-se traída democraticamente com uma frase política sem intenção de quem não pode abrir a boca sem que seja considerado um insulto aos patetas do país.    

Se não constitui novidade, o comportamento da Ana Pateta e dos ávidos abutres que vivem de polémicas, já é de estranhar a reação do Alegre Manel ao aderir à polémica da Ana, considerando que ninguém pode falar mais alto que ele em questões de democracia.

Mesmo que essa democracia seja o exercício de conversas entre alguém que também tem direito a falar, a brincar até, sem estar a decidir nada por ninguém, sem ofender como tantas vezes é ofendido, sem poder responder à letra, como qualquer cidadão livre e respeitador.

A menos que nesta pandemia que nos ameaça com vírus mortíferos, já não se possa ter liberdade para falar sem a máscara da hipocrisia e sem o medo dos espirros de esbirros que fazem da sua popularidade uma auréola de intocáveis pensadores e executores das regras do país. E heróis da pantominice informativa que cresce como ervas daninhas.