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afonsonunes

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Esta história não precisa de levar bolinha vermelha no canto direito. Até porque, sendo ela vermelha, não se admite que a ponham no canto da direita. Ou seja, direita com vermelho, está-se mesmo a ver, não está?

O Marques está sempre no seu canto da direita e daí ninguém o tira. Tem um burro chamado marquês que o dono não se cansa de dizer que tem um problema: é negro no pelo, mas tem sangue vermelho. Que raiva!...

Quem os conhece bem, diz que a diferença entre ambos, está apenas no acento circunflexo dos nomes. Porque, nos comportamentos, ambos não passam de duas bestas. Para mim, a diferença está só no ‘M’ e no ‘m’.

Mas, como é costume, nome de gente é com maiúscula e nome de besta é com minúscula. Isto não tem lógica nenhuma, quando gente se confunde com burro. Sim, há muita gente que não prescinde de fazer burrices.

O Marques julga que ter um marquês, perdão, ter um burro, é tê-lo sempre preso na corte. Isso era dantes é que o marquês vivia na corte com toda a fidalguia. Pois, dantes, havia corte com acento e sem assento.

Este assento circunflexo tem muito mais importância do que se pensa. Não é o caso do preso e da presa. Mas podia ser. O burro do Marques acaba por ser um preso de uma besta que se preza das burrices que faz.

Assim, o burro é uma presa que uma besta se orgulha de tratar como sua semelhante. Com a diferença de que há bestas livres e bestas presas. Umas estão presas na corte e outras estão presas na corte. É do assento.

O grande erro do Marques foi ter-se lembrado de dar o nome de marquês ao seu burro de sangue vermelho. Devia prever que há sempre a possibilidade de se criarem situações confusas entre seres bestiais.

Há quem estranhe que a Protetora dos Animais ainda não tenha atuado neste caso bestial. É que o burro, o pobre marquês, pode estar a ser vítima de violências várias por parte do dono, o cruel Marques. Será justo?