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afonsonunes

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Obviamente que não se trata do meu, mas sim do dele. Talvez haja alguém que se lembre de quem explicou publicamente e sem rodeios, o seu início de vida milionária. E fê-lo com aquela simplicidade que comove.

E comove porque não é vulgar um cidadão, mesmo sendo político, vir a público num meio de comunicação social, mostrar como o sucesso pode bater à porta de um sortudo que nunca teria pensado numa vida assim.

Fácil, tudo muito fácil. Numa determinada noite, faz uma assinatura num determinado documento e… já está! Ali estava o primeiro milhão. Depois, foi só esperar. O segundo e os seguintes, seria só uma questão de tempo.

Tudo muito diferente do cidadão comum. Numa só noite, o mais que pode aspirar, é ir ao quiosque mais próximo de casa e comprar uma raspadinha. Mesmo cheio de sorte, não dá para o bilhete de avião para Cabo Verde.

Mas aquele outro, cidadão e político, amigo do presidente e do chefe do governo, deve ter feito muitas assinaturas no BPN e na SLN, que lhe deram direito, não só a viajar, mas a tornar-se dono de muito de uma ilha.

Aquela SLN e aquele BPN foi um filão que nunca foi devidamente explorado em termos de os portugueses perceberem bem, quem levou, para onde levou, quanto levou e quanto devia ser reposto por cada um.

Agora que tanto se fala de milhões e mais milhões que ninguém encontra, os portugueses precisavam saber quem tem os milhões verdadeiros e quem não tem os milhões fictícios. E exigir que quem sabe se explique.

Não é pedir muito. Se quem devia saber não sabe, então que se obrigue os que sabem demais, a dizer um pouco do que sabem. Com provas do que dizem. Para que os portugueses sérios, de vez, conheçam os outros.  

Quando digo os que sabem demais, incluo todos aqueles que, sendo ignorantes, falam do que não sabem. Encontramo-los nas redes sociais e na ordinarice dos comentários a artigos de jornais. E nos pasquins, claro.

E há os outros. Não são ignorantes mas são piores que eles. Sabem demais, falam demais, mentem demais, porque querem que haja quem acredite neles demais e saiba de menos do que é a verdade dos factos.