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afonsonunes

afonsonunes

21 Abr, 2017

O morto e o vivo


Nunca mais deixo de aprender coisas interessantes, até porque tenho uma relutância militante quando me querem ensinar aquilo que considero um desperdício dentro da minha mona. Mas nela cabem sempre ditos espirituosos que, ora me fazem sorrir com gosto, ora me fazem soltar uma estridente gargalhada.

Ao passar os olhos pelos jornais de hoje a minha atenção centrou-se num título do 'i' que dizia só isto: 'Passos Coelho está politicamente morto e ainda ninguém lhe disse'. Esta tirada de José Miguel Júdice mereceu-me dois largos sorrisos. O primeiro para, 'Passos Coelho está politicamente morto'. O segundo para, 'e ainda ninguém lhe disse'.

É que esta é uma frase para ser saboreada a dois tempos. Revelar a morte política de alguém que sempre se julgou tão importante, além de ainda ninguém ter visto a respetiva certidão de óbito, é uma afirmação de alto risco. Até porque há sempre a possibilidade de um morto ressuscitar. Mesmo depois de ter sido considerado 'bem morto'.

Agora, a segunda parte da frase é, quanto a mim, um tratado de refinado humor. Pois, ainda ninguém disse ao morto, que ele está mesmo morto. É evidente que isso é muito importante, pois um morto, não pode saber se está morto. Tanto mais que esse morto, está convencido que tem sete vidas e que ainda só vai a meio da primeira. Portanto, há que esperar muito, pois ainda restam cinco vidas e meia.

Por outro lado, com o morto anda um vivo cada vez mais vivaço nas suas tropelias oratórias. Trata-se de Luis Montenegro que, segundo se ouviu logo de muita gente, está cheio de azia e indigestão, por não engolir aquilo que se lhe atravessou na garganta como um osso muito duro.

Propôs ele que se devia dar um bónus de deputados ao partido que vence as legislativas para que pudesse governar. Assim, depreendo eu, alguns deputados seriam como rebuçados, vão para a AR não com os votos dos eleitores, mas como bónus, ou prémio muito especial.

Justificação para tal ideia genial: isto é o que acontece na Grécia. Imagine-se que, agora, a Grécia até já lhes serve de exemplo, depois de tanto terem feito da Grécia a besta negra da Europa. E depois de tanto, ignominiosamente, terem comparado constantemente, o nosso país a essa mesma Grécia.

Luis Montenegro não está morto politicamente mas, corre o risco de, não sei se gostosa ou desgostosamente, acabar por vir a ser o sucessor do morto politicamente. Se Passos está morto politicamente pelo que disse ao longo da sua carreira política, Montenegro também não tem motivos para continuar vivo politicamente.