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afonsonunes

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De vez em quando ouvimos gente dizer que tem orgulho naquilo que faz. Acho muito bem que quem faz o bem se orgulhe do que faz. O pior é que também há quem passe o tempo a praticar o mal e diz-se orgulhoso disso.

Talvez seja uma questão de não saber distinguir o bem do mal. Ou de querer enganar aqueles a quem fez mal, dizendo que lhes fez bem. Temos governantes que estão nessa onda. Tal como estavam já há quatro anos.

Os portugueses estão habituados a muitos enganos e desenganos ao longo de muitos anos. Mas tantos desenganos seguidos como nestes últimos quatro, não há memória. É difícil lembrar uma boa recordação.

Há sempre coisas que correm mal. Os tempos não correm de feição, mas as decisões tomadas não têm ajudado nada. Pelo contrário, só têm piorado tudo. Por mais que quem nos engana opte pela reincidência.

É uma tristeza que haja quem se orgulhe das vergonhas infligidas aos portugueses. Quem se julgue uma estrela no meio de tanta escuridão. Quem ande metido permanentemente em esquemas que não brilham.

O país nunca esteve tão entregue a esquemas como agora. Eles aparecem de todos os lados. No setor público, como no privado. Mas quem suporta sempre o descalabro de todos, é o indefeso e perseguido contribuinte.

Ninguém tem o direito de destruir o país, seja qual for o esquema utilizado. Nem o direito de imputar muitas dessas destruições a outros, quando esconde ser ele próprio um dos maiores destruidores de sempre.

Portanto, em lugar de orgulho, alguém devia sentir vergonha do estado atual a que chegou o país. E devia sentir vergonha de continuar a bater na tecla do progresso, quando só se vê retrocesso vergonhoso em tudo.

Chega-se mesmo ao cúmulo do descaramento, quando alguém responsável por um dos setores mais desacreditados no país, diz que não é ele a estrela, mas a instituição a que preside. Ele, digo eu, nem velinha é.

Depois, há aqueles risonhos marotos que, apesar de serem apenas maus apêndices, ou meros complementos do poder, têm sempre um arreganho no olhar destrutivo do alheio, já que por si, nada fazem de construtivo.