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afonsonunes

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O Pedrinho é muito mais novo que o padrinho, mas tem dias em que o menino lembra ao adulto a rotina das suas obrigações. Talvez porque ambos aprenderam na escola, onde agora leciona o primo, professor.

A escola dos três é a mesma e, por coincidência, a escola não tem culpa nenhuma de os ter acolhido, em tempos e funções diferentes. Mas, também por coincidência, os três contribuíram para estragar a escola.

Ao contrário do que possa parecer, nos dias de hoje, quem manda é o Pedrinho que, pelo aspeto exterior, é o mais novo dos três. Já o Fernando Santos, que não é para ali chamado, dizia que não olhava à idade.

O aluno até pode mandar no professor e no padrinho, desde que não os mande fazer asneiras de cabo de esquadra. Mas, se forem eles a fazê-las de iniciativa própria, o aluno, no mínimo, deve chamá-los à ordem.

E a ordem é óbvia. Mandar o professor estender a mão e aplicar nela meia dúzia de reguadas, à boa maneira antiga. Sim, porque nem tudo o que é antigo é mau. No caso, o aluno vem do museu. O professor é a raridade.

No caso do padrinho, tendo em conta a sua provecta idade, o aluno deve dar-lhe instruções simples e claras para que ele não as distorça. Sentindo-o em dificuldade séria, deve recomendar: vigarice, sim, vigarice até ao fim.

O aluno, na sua qualidade de chefe de turma, tem a obrigação de conter todos os desmandos de alunos mais irrequietos. Não há cá compensações por asneiras irremediáveis. Depois do mal feito, só a rua é compensação.

E aquela turma tem muito orgulho da justiça que pratica. Como a rua é lugar pacífico, há muita coisa dela que anda espalhada pela rua. A rua ainda é dos lugares mais seguros. Só os teimosos não aceitam ir para lá.

Para a rua, sim, se nenhum deles tiver juízo no que faz, ou manda fazer. Não adianta quem manda, ou quem obedece. Até porque nenhum deles vai para a rua, desprevenido, apanhar chuva, sem o respetivo guarda.