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afonsonunes

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26 Dez, 2020

O regresso do diabo

Deve estar bem na memória dos portugueses como foi diagnosticada, anunciada, amplamente divulgada e por muitos desejada, a vinda do diabo após acontecimentos dolorosos que, em tempos, deixaram o país à beira de muitas dúvidas e de muitas especulações sobre a capacidade de recuperação da vida normal dos portugueses.
Afinal passaram anos e o diabo não apareceu, enquanto o país e os portugueses lá foram reconstruindo quase tudo o que fora devastado. Além de se atingir um nível interno e externo, em diversos aspetos, muito superior ao que vivemos até sermos atingidos, em Março do ano corrente, pela pandemia que determinou o quase colapso da vida de cidadãos de todo o mundo.
Houve já quem vaticinasse agora, agora sim, a vinda do diabo, que não aconteceu quando desejada e esperada. Mas, a esperança é sempre a última coisa a morrer. Parece que para o bem e para o mal. Porém, agora, como o fenómeno é mundial falta a coragem e o desplante de trazer com mais acuidade a teoria da vinda do diabo.
Em boa verdade para os saudosistas há muitas maneiras de reinventar diabos e novas vindas à medida que outras se vão tornando tão velhas que vão morrendo às mãos do tempo. E o tempo também vai diluindo os sonhos de seguidores de arautos de desgraças e projetos de poder que tão depressa não têm via aberta para serem concretizados.
Já ouvi dizer que o país precisa de um PM bom, mas não precisa de um PM bonzinho. Por mim, não tenho dúvidas de que os meus receios não vão para trocadilhos esfarrapados que nada dizem. Porém, tenho muitas dúvidas de que, olhando para todos os que se perfilam para chegar lá acima, me deixassem minimamente tranquilo, sobretudo face aos desenvolvimentos que o país conheceu e face às reais turbulências que inevitavelmente terão de aparecer mais tarde ou mais cedo.
E nunca me passou pela cabeça que quem nunca nos salvou, por não saberem ou não poderem, tanto os maus como os mauzões, pudessem agora renascer das cinzas para, diabolicamente, ressuscitar o país que tanto arrasaram sempre que tiveram oportunidade de o fazer. E entre estes, todos os dias ouço 'sábios e ignorantes' que cada vez cimentam mais as minhas previsões de que não será por eles que passa o futuro do meu país.