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afonsonunes

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29 Out, 2015

O superior

 

Nem seria preciso dizê-lo pois toda a gente sabe que o ente superior de todos os portugueses é supremo chefe Aníbal. Portanto, além de superior, também é supremo. E ninguém contesta o seu superior estado de alma.

Já quando se trata de avaliar o seu entendimento sobre qual o superior interesse de Portugal, a coisa muda de figura. Tenhamos em consideração que essa avaliação pode ir de inferior, grau zero, a superior, grau vinte.

Avaliação que tem de ser sectorial, pois haverá chefes superiores que valem zero e haverá chefes inferiores que valem vinte. E nem precisamos de olhar só para chefes. Há gente subordinada que vai de zero a vinte.

Tenhamos em linha de conta que o país tem muitas linhas para coser e descoser. E não é por isso que as costureiras mais competentes chegam a secretárias de estado da coligação, mesmo nos tempos difíceis de hoje.

E porteiros de edifícios do estado e de gabinetes de governantes que, mesmo com avaliação de desempenho inferior a dez, chegam a chefes de gabinete de ministros que vieram de qualquer lado, tapar buracos vagos.

Até já ouvi dizer que um desses tapa furos, ao ser convidado para o governo, alegou que não percebia nada do que teria de fazer. Foi-lhe dito que bastava ter dois carimbos, um em cada mão: Aprovado e Reprovado.

O carimbo, Aprovado, seria aposto nos documentos vindos do superior e o Reprovado, carimbaria os documentos vindos do inferior. Justificação: O superior, pensa no superior interesse, e os inferiores, não sabem pensar.

Isso levou logo um tipo que eu conheço a indignar-se com estas discriminações. Alegou ele que já há locais públicos onde há um burro com um carimbo em cada pata traseira. Cada coice que dá é uma decisão.

Há sempre quem não concorde com nada. Por exemplo, ver alguém ter o privilégio de ser o único a definir qual é o superior interesse de Portugal. Faz lembrar a tal costureira que sabe o que é coser e o que é descoser.

Hoje, há muitos portugueses que se sentem cozidos em lume brando, outros assados em lume vivo, outros ainda fritos no caldeirão. Tudo porque foram vítimas de burros que só tinham dois carimbos nas patas.