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afonsonunes

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Finalmente, tive um dia feliz nos últimos três anos. Depois de tantos enganos, desilusões e uma baixa generalizada dos abusos em todos os domínios da minha vida, estou consciente de que agora é que estou bem.

Finalmente, entendi que é muito bom para a saúde, reduzir para metade o que comia às refeições. A obesidade acabou, tal como acabou a mania de meter a loiça na máquina. Agora, as mãos é que rodam à volta dos pratos.

Finalmente, o Senhor Presidente pôs o dedo na ferida. O país já está a coberto dos inúmeros perigos que correu. Os portugueses já se encontram metidos na ordem e isso é muito bom para a nossa salvação coletiva.

Finalmente, é bom que se saiba, e eu reafirmo, a ferida que tivemos em 2010 está curada e, de modo nenhum, se deve voltar a falar nela para que não provoque comichão e, consequentemente, a sua infeção ao coçá-la.

Finalmente, também é bom que se saiba, e eu o reafirmo com convicção, definitivamente, que a crise internacional só cá chegou, depois de a troika cá ter entrado. Daí que a sua intervenção tenha sido uma bênção do céu.

Finalmente, garanto que não mais é preciso falar nos milhões do BPN, e outros, até porque não sei por onde eles andam mas, felizmente, isso está tudo pago. Já ninguém tem que perder o sono com ninharias dessas.

Obrigado, Senhor Presidente, pois a sua garantia de que tudo valeu a pena e de que tudo correu na ponta da unha, fez de mim outro homem. Hoje tenho consciência, e orgulho, de que ajudei os obreiros deste milagre.

Obrigado, Senhor Presidente, tenho a certeza que estas são as palavras que todos o portugueses estão com vontade de lhe dirigir, abandonando aquela ideia que tantos, erradamente, têm propalado: fomos roubados.