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afonsonunes

afonsonunes

10 Nov, 2016

Oh Dona!...

 

É verdade, Dona, para si, uma boa notícia, era Bruxelas descarregar uma desgraça sobre o país, por via de um golpe fatal sobre o governo em funções. Uma desgraça daquelas que a Dona, o seu chefe, amigos e comparsas, tanto anunciaram ao longo deste ano de novo governo.

É verdade que nem a desgraça de dois orçamentos pré chumbados, que nem a desgraça falhada de um pré retificativo, nem a desgraça de um país em permanente eminência de nova bancarrota e de novo resgate, nem a desgraça de não se concretizar um clamoroso desastre nas contas do estado, pior ainda que as suas contas, Dona, nada disso, de desgraças aconteceram ainda.

Mas a Dona insiste em dizer que uma boa notícia para o primeiro ministro Costa, é não haver uma desgraça. Não sei se o primeiro ministro lhe respondeu ou se vai responder-lhe. Eu diria que a Dona tem a cabeça cheia de desgraças que, desesperadamente, continuam em lista de espera para ver se chegam a acontecer. Depois, de vez em quando, tenta soltar uma.

Costa já disse, por outras palavras, que não há meio de o diabo lhe cair em cima, apesar de tantas vezes chamado de urgência. Mas, até o diabo parece não querer nada com tal gente, que quer é metê-lo em sarilhos. É que, até o diabo sabe distinguir quem pretende colocá-lo em apuros, descredibilizando as suas intervenções. Depois, o diabo, cai em cima de quem anda sempre à espera de um mal-intencionado favorzinho seu.

Olhe, Dona, não lhe digo para meter a viola no saco, porque podia dar a sensação de que o seu tocar a rebate me incomodaria. Mas está enganada, Dona. Eu e muitos mais portugueses, sabemos que nada há de melhor para estragar a música, que ouvir violas desafinadas. E assim, a pouco e pouco, até os seus fiéis ouvintes vão evitando os seus toques, com os ouvidos entupidos de atropelos ruidosos.

Oh Dona, está visto que já nem o diabo do alemão a pode salvar, apesar do seu poderio e da sua predileção pelas mesmas desgraças que tanto dão que pensar a ambos. Pelo menos por estes tempos mais próximos.