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afonsonunes

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13 Abr, 2014

OS ACEITANTES

 

 

Há pessoas que nem precisam de assaltar bancos para que fiquem a nadar em dinheiro. Em primeiro lugar, certamente, porque não gostariam que lhes chamassem assaltantes. Preferem ser aceitantes.

E nem sequer precisam de estender a mão para aceitar o que os amigos do peito lhes metem na conta bancária. Fácil, cómodo e útil. Prometem pagar mais tarde. Nem é preciso dizerem quando.

O banco deles é uma maravilha. Àqueles amigos que aceitem colocar lá as suas poupanças (aos milhares), têm a garantia de vir a ser aceitantes de valores multiplicados, como os pães do Evangelho.

Ser aceitante é que está a dar. Ainda há pouco tempo, vi o primeiro-ministro, contente, aceitar um par de sapatos. Bons sapatos, claro. Aposto que há quem ande à brocha por prendas menos valiosas.

Mas, os aceitantes não são todos iguais. Por exemplo, os aceitantes obsequiados pelos bancos são, realmente, uns privilegiados, pois aceitam muitos milhões e nem sequer restituem uns extintos tostões.

Daí que os reformados e pensionistas queiram ver as sua pensões indexadas a esses valores não restituídos. Isto é, que elas aumentem, na medida em que aumentem as retenções dos aceitantes.

Por outro lado, exigem que os aceitantes passem a chamar-se assaltantes, para que os funcionários e reformados se libertem de pagar assaltos, deixando isso por conta dos próprios assaltados.