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afonsonunes

afonsonunes

19 Jul, 2018

Os incansáveis

Os incansáveis andam num corropio delirante desde que o atual governo tomou as rédeas do poder, neste país onde muitos frustrados inconsoláveis, mas sempre em luta contra o tempo que, não os vencendo, nada os faz desistir de perseguir os seus desígnios.

Há que reconhecer que tais sinais de persistência têm a sua virtude, na medida em que a espécie humana se caracteriza por ter os seus ideais e lutar por eles até ao último dia das suas vidas.

Acresce que o respeito pelos outros e a obrigação moral de nunca trair a verdade, obriga a que todas as lutas entre cidadãos, sejam elas quais forem, devem inserir-se no espírito de discussões sérias onde os argumentos diferentes converjam no sentido de reforçar a cidadania e o progresso do bem comum.

Obviamente que nada disto é o que se passa atualmente no país e infelizmente por esse mundo fora, onde impera cada vez mais a hipocrisia, a confusão constante entre mentiras e verdades, cada qual tentando impingir o que lhe interessa sem olhar a meios par o fazer.

E isto passa-se a nível das pessoas, individualmente, mas também a nível de instituições, de organizações e corporações, onde toda a gente se assume como dono de todas as soluções, mesmo daquelas que competem exclusivamente a quem de direito.

Toda a gente, ou quase, julga ter o rei na barriga, só porque há liberdade para criticar. E criticar não é exigir, não é ofender, não é praticar violência contra quem não agrada ou não satisfaz caprichos, interesses impróprios ou até algumas loucuras.

A informação gira quase exclusivamente à volta de polémicas quantas vezes inventadas para impressionar e sucedem-se a um ritmo cadenciado, para que os assuntos se mantenham vivos. Até os humoristas, se é que têm humor, batem todos os dias nas mesmas teclas.

Basta ouvir e ler as moscas mortinhas de todas as manhãs, ou as insignificâncias de umas frases copiadas junto a uns bonecos nos jornais, para mostrar como o estado e as empresas do ramo gastam balúrdios com quem nada de novo trazem aos consumidores.

É uma pena que este país nunca mais acorde do sonho de campanhas perniciosas e permanentes. Que se não crie uma mentalidade de que trabalho é trabalho e conhaque é conhaque.

No meu entender, porque não há coragem para cortar de vez com hábitos que só degradam a sociedade. Todos sabemos quem o podia e devia fazer.

No meu entender, porque não há separação clara de quem não faz e devia fazer, não há punição clara de quem transgride e de quem devia punir e assobia para o lado.

Nesta balbúrdia onde muitos se amanham e muitos deixam amanhar-se, são sempre os mesmos a ter de sacrificar-se pelos que tudo fazem, tudo podem e nada lhes acontece.