Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

15 Jan, 2015

OS INIMIGOS

 

Quando se diz que os amigos são para as ocasiões, devia dizer-se que o mesmo podia passar-se com os inimigos. Sobretudo, aquelas pessoas que gostam muito de falar de amigos. Para infernizar inimigos de estimação.

É certo que há ocasiões para tudo. Mas, para certos inimigos, a ocasião de se meterem de olhos fechados em deambulações fantasiosas, quase sempre insidiosas, não conhece tempo nem lugar. É um vê se te avias.

Atiram com tudo o que lhes vem à mona e, principalmente, com o que se lhes meteu na mona, por iniciativa própria, ou ventilada de correntes oriundas de velhos moinhos de vento, dos quais só saem ruídos secos.

É caso para dizer que há amigos dos seus inimigos. Na medida em que não podiam viver sem eles. São a menina dos seus olhos e a língua das suas bocas. Talvez nem se apercebam que têm o coração cheio com eles.

Cheio de um misto de amizade e inimizade que é difícil compreender, mas fácil de descortinar. Basta ver como são duras as suas palavras e como são chispados os seus olhares. Lá dentro, o coração está crispado.

Quando se tem inimigos desses não é possível ter amigos. Pode misturar-se palavras com olhares do mesmo tom. Mas não pode misturar-se sentimentos contraditórios dentro de um coração que só fabrica ódio.

E não há nada a fazer quando o ódio é de estimação. O que se estima não se perde nem se deita fora. Pode até dizer-se que só gera um misto de amigos e inimigos. Que não são uma coisa nem outra. São uma aberração.

São como o alecrim. Andam por aí aos molhos. Mas não têm o cheiro do alecrim. Que também tempera. Os amigos dos inimigos destemperam tudo com os seus desmandos para com aqueles que não podem falar.    

É fácil bater nos inimigos quando estão de costas. Principalmente, quando se é um daqueles valentões que usam e abusam de palavreado exclusivo para bater. Para esses, devia haver uma medida de correção a condizer.