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afonsonunes

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21 Ago, 2015

OS NOVOS DEBATES

 

Não é uma dúvida, é uma certeza. Os velhos debates já deram o que tinham a dar. Daí que esteja na hora de se eliminar tal praga da campanha eleitoral. A coligação já deu o primeiro passo. Não os quer. Ponto final.

No entanto, ainda aceita fazer um ou outro. Porque podia parecer que está com medo dos adversários. Não, não está. Mas está com receio que já lhe vão faltando argumentos para deturpar o que já está bem à vista.

Aliás, já toda a gente sabe que muitos dos votantes são tão fieis como os sócios dos clubes. Poucos mudam. As eleições não são decididas por aquilo que alguém diz, nem ninguém por si só influencia o país todo.

As eleições não mudam as pessoas mas podem mudar-lhes as reações em determinados momentos. Principalmente, nas pessoas que sempre estiveram bem e de repente ficaram mal. Aí, é lógico que vejam porquê.

E surge então uma outra reação que nada tem de lógico. A culpabilização de quem, por outros motivos, se odiou e se odeia. Então, é fácil alimentar esse ódio com culpas alheias. Facilmente usadas por quem vive disso.

Claro que a campanha eleitoral corre toda nesse sentido. Nada de útil, nada de esclarecedor. Já toda a gente sabe o que cada um dos intervenientes vai dizer. Mentiras para cá, insultos para lá. E muitos risos.

Será isto que faz falta nos debates. Será isto que a coligação quer evitar ao querer debates ao seu jeito. Que não sei qual é, tal a fragilidade que sente frente aos adversários. Pelo menos nos debates, a ‘banhada’ é inevitável.

Uma coisa é inundar a comunicação social sempre recetiva a colaborar na divulgação de interpretações erráticas daquilo que alguém inventa, outra coisa é estar frente a frente e poder ser prontamente corrigido e criticado.

Daí que esta campanha eleitoral é, toda ela, uma tremenda palermice. As televisões correm o risco de ver as audiências reduzidas a zero na hora dos eventuais debates. Mas, para já, vão ter muita dificuldade em acordá-los.

Por mim, vou-me debatendo comigo próprio naquilo que me interessa. E não é que seja interesseiro. Sou apenas suficientemente lúcido para não aturar parvoíces. Ou como diz um anúncio: ’eu é que não parvo’. Pois é.

Não sei quem vai levar ‘uma banhada’ no dia das próximas eleições, como diz Jerónimo de Sousa a propósito da coligação. O seu partido não é com certeza. Já os portugueses, no seu todo, não podem dizer-se isentos dela.