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afonsonunes

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03 Out, 2017

Os novos heróis


Por motivos antagónicos as eleições autárquicas ditaram dois novos heróis para a galeria dos seus notáveis. Para ser mais concreto, trata-se de uma heroína, fenomenal, e de um herói por lhe cair em cima tanta desgraça ao mesmo tempo.

Cristas, a heroína a quem saíu a taluda, ou o euro-milhões, ou a sorte de ter sabido correr com o trauma que liquidou o herói Passos, herdou deste os votos que ele deitou pela janela fora. O milagre do sucesso dela foi a desgraça que fez dele o incrível herói.

No fim de contas trata-se de uma heroína incrível e de um herói igualmente incrível. Dois heróis incríveis pelas circunstâncias em que atingiram essa notável distinção. E pela simples razão de que, nestas eleições foi como se não existisse PSD.

A direita teve de cair sobre Cristas, para não aturar mais Passos. Daí que ela fosse levada aos céus pelo esforço de aproveitar o que sobrou de Passos. Este saíu dos infernos porque teve a coragem de anunciar o esforço a que foi obrigado para sair de cena.

Mas há aqui qualquer coisa que está escapar a muitos inteligentes observadores. Passos prometeu não se recandidatar. Mas quantas vezes prometeu ele tantas coisas que nunca cumpriu? Cristas prometeu chegar a líder da oposição a nível do país. Mas quem lhe disse que o PSD vai estar sempre assim?

Costa tem bons motivos para ter tempo de se dedicar quase exclusivamente à gestão da geringonça, agora, uma geringonça recheada de carinhos depois de passada a fase de gozos azedos e de ódios disfarçados com sorrisos maliciosos.

À falta de melhores motivos para chamar o diabo, voltam-se agora para os insucessos do PC e do Bloco para fazer perigar a governação. Esquecem que o governo depende de todos os apoiantes e os apoiantes dependem igualmente do sucesso do governo.

Alguém estará a ver a situção do PC e do Bloco depois de uma crise que derrubasse o governo do PS? Essa não seria melhor que a situação do PS. Exceto para a heroína Cristas, que veria aí a tão desejada ascensão, não a líder da oposição nacional, mas a líder do governo do país. Quem não sonha não vive, mesmo no meio do reino da ilusão.

Obviamente que todas as pessoas e todas as situações têm um fim. Por vezes, até infinitamente mais depressa do que parece. Mas, tanto quanto se pode prever no momento, ainda vamos ter geringonça por mais uns tempos. Com muita pena dos passistas e seus mais diletos candidatos a sucessores.